| Mês: outubro de 2026

Programação em novembro inclui orientações sobre o Plano das Bacias PCJ 2020–2035 e minicurso inédito sobre elaboração de termos de referência

A Agência das Bacias PCJ realizará, nos dias 10 e 30 de novembro, em Piracicaba (SP), oficinas voltadas a prefeituras e serviços de saneamento dos municípios inseridos nas Bacias PCJ. Os encontros terão como foco as “Metas e Ações do Plano das Bacias PCJ 2020–2035 e Oportunidades de Recursos Financeiros (Fehidro 2027), na temática de Saneamento” e ainda contarão com o minicurso “Como elaborar Termos de Referência?”.

A iniciativa tem como objetivo orientar os potenciais tomadores sobre as metas e perspectivas do Plano das Bacias PCJ 2020–2035, divulgar as ações financiáveis na área de saneamento e apresentar as regras para captação de recursos do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo), que é formado pela Cobrança PCJ Paulista e CFURH (Compensação Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos).

A programação também foi pensada para apoiar os municípios na preparação dos documentos técnicos necessários à apresentação de propostas. Para 2027, a estimativa é de que estarão disponíveis R$ 60 milhões para investimentos, sem contar a contrapartida dos tomadores.

Como novidade desta edição, a Coordenação de Projetos oferecerá um minicurso sobre elaboração de termos de referência, com orientações gerais para a estruturação dos documentos e a captação de recursos.

As oficinas terão a mesma programação nas duas datas. A realização em dias distintos busca ampliar as possibilidades de participação e acomodar melhor os representantes dos municípios. Cada participante deverá escolher apenas uma das datas no momento da inscrição.

Entre as ações que podem receber recursos do Fehidro estão a revisão e elaboração de planos municipais de saneamento; planos de controle e redução de perdas; planos diretores de drenagem urbana; estudos e projetos para sistemas de transporte e tratamento de esgotos; melhorias e implantação de Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs); controle de perdas em sistemas de abastecimento de água; tratamento de lodo em ETAs; ampliação de sistemas de coleta de esgotos e implantação de tecnologias de desinfecção, entre outras.

Para o orçamento de 2026, os valores mínimos e máximos de repasse do Fehidro são: para planos, estudos e projetos, de R$ 160 mil a R$ 1,5 milhão; para obras, serviços e equipamentos, de R$ 300 mil a R$ 12 milhões na modalidade reembolsável e de R$ 300 mil a R$ 8 milhões na modalidade não reembolsável.

Serviço

Oficina “Metas e Ações do Plano das Bacias PCJ 2020–2035 e Oportunidades de Recursos Financeiros (FEHIDRO 2027), na temática de Saneamento” + Minicurso “Como elaborar Termos de Referência?”

Público-alvo: prefeituras e serviços de saneamento dos municípios inseridos nas Bacias PCJ
Inscrições: até 30 de outubro de 2026
Vagas: gratuitas e limitadas
Inscrição: https://bit.ly/InscriçãoOficinaPCJFehidro2027

Apoio: Pecege e Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP)

10 de novembro de 2026
Local: Pecege – Rua Cezira Giovanoni Moretti, 580, Santa Rosa, Piracicaba (SP)

30 de novembro de 2026
Local: Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP) – Rua Ipiranga, 166, Centro, Piracicaba (SP)

Programação

MANHÃ – Plano das Bacias PCJ e regras para captação de recursos

9h às 9h30 – Recepção e café
9h30 às 9h40 – Abertura
9h40 às 10h10 – Plano das Bacias PCJ: metas e perspectivas
10h10 às 10h50 – Fehidro: captação de recursos PCJ
10h50 às 11h20 – Documentos técnicos: diretrizes básicas
11h20 às 11h40 – Dúvidas e encerramento

11h40 às 13h20 – Intervalo para almoço

TARDE – Minicurso e plantão de dúvidas

13h20 às 15h40 – Minicurso “Como elaborar Termos de Referência? Diretrizes gerais para elaboração”
15h40 às 16h40 – Dúvidas gerais

13h30 às 16h40 – Plantão de Dúvidas: atendimento específico para tomadores que já possuem uma proposta semielaborada e desejam esclarecer uma questão técnica sobre o projeto. O atendimento terá duração de 30 minutos por tomador, com seis vagas disponíveis. As dúvidas gerais poderão ser apresentadas ao final das apresentações.

Importante: a programação será repetida integralmente nos dias 10 e 30 de novembro. O tomador deverá escolher apenas uma das datas para participação.

Assunto foi apresentado por Virgínia Sodré, CEO da empresa Valor da Água, a primeira climatech brasileira especializada em inteligência hídrica

7 de outubro de 2026

A apresentação de uma plataforma tecnológica para monitoramento de riscos climáticos e gestão hídrica territorial foi o destaque da 113ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Uso e Conservação da Água na Indústria (CT-Indústria), realizada nesta quarta-feira, dia 7 de outubro, por videoconferência, sob a condução do coordenador Jorge Mercanti.

A ferramenta foi desenvolvida pela empresa Valor da Água — a primeira climatech (startup de tecnologia climática) brasileira especializada em inteligência hídrica — e utiliza inteligência artificial e dados geoespaciais para avaliar estresse hídrico e cascatas de risco, podendo ser utilizada por empresas e comitês de bacias. A tecnologia foi apresentada pela engenheira civil e mestre em Engenharia Hidráulica e Saneamento Virgínia Sodré, CEO e cofundadora da Valor da Água.

Virgínia apresentou o conceito corporativo de “água positiva”, que envolve devolver mais água do que a consumida, melhorar sua qualidade e garantir acesso comunitário na bacia, diferenciando o crédito de água do crédito de carbono devido à natureza territorial do recurso. Ela ressaltou que, até 2050, cerca de 8% do PIB global poderá ser perdido devido à crise hídrica, tornando a resiliência hídrica um fator de continuidade operacional.

“Se vocês colocarem hoje no Google as empresas que são ‘water positive’, esse conceito de regenerar o impacto da sua operação vem crescendo por uma questão de continuidade operacional. Não é só uma questão de ESG. Tem uma vantagem econômica para as empresas que estão olhando o território, entendendo o risco da bacia”, explicou a CEO.

Virgínia detalhou que a plataforma da Valor da Água integra visões operacional e estratégica para auxiliar na tomada de decisões diante de outorgas dinâmicas e riscos regulatórios e climáticos. A ferramenta utiliza inteligência artificial, dados de satélite e bases nacionais e internacionais para fornecer diagnósticos preditivos e avaliações de risco territorial.

Além da CEO, a apresentação contou com a participação do fundador e CTO da Valor da Água, Alex Staudt Takaoka, e dos técnicos Arthur Bispo Ferreira e Leonardo Dias. Takaoka demonstrou a arquitetura multiempresa da plataforma, que incorpora datasets do WRI Aqueduct, com 13 índices de risco e cenários futuros até 2080, dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) e o fator Aware, da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), para caracterização da pegada hídrica. Ele ainda exibiu um exemplo prático em que a inteligência artificial gerou um relatório preliminar e uma leitura contextual do entorno da unidade da ArcelorMittal em Carbonita (MG), com base em normas como ISO 14046 e GRI.

Ferreira apresentou a aplicação da plataforma na Bacia do Rio Guandu, no Rio de Janeiro, utilizando uma metodologia de avaliação de riscos em cascata baseada em ameaças externas, exposição de infraestrutura e vulnerabilidades. Segundo ele, a avaliação de estresse hídrico considera outorgas disponíveis, volume de água em aquíferos e reservatórios, além da geolocalização de estações de tratamento de água e esgoto, aterros e áreas de preservação permanente, em quatro escalas diferentes.

Dias apresentou o módulo operacional, demonstrando o monitoramento de telemetria com diversos tipos de sensores de parâmetros qualitativos e quantitativos, a construção do mapa de água para rastrear captação, reserva e uso, e a geração de diagramas de Sankey para identificar perdas hídricas em empreendimentos.

“Eu, sinceramente, fiquei empolgado porque realmente é uma ferramenta poderosa. Eu falo porque sou do tempo ainda dos dinossauros, pegava touro a unha. Com todo esse aparato tecnológico de IA e tudo mais, a gente fica abismado com a possibilidade que pode ser feito”, destacou Mercanti.

Situação do Sistema Cantareira e Bacias PCJ

No início do encontro, Mercanti fez um breve relato sobre a situação do Sistema Cantareira e das Bacias PCJ, além de apresentar previsões hidrometeorológicas para a região nos próximos meses.

Segundo o coordenador da CT-Indústria, na região do Cantareira, as chuvas atingiram 1.495 milímetros entre setembro e o início de outubro de 2026, pouco acima da média climatológica anual, de 1.491 mm. Em 2014, durante a crise hídrica, o total de precipitação foi de 964 mm. Devido ao grande volume de chuvas, o Sistema Cantareira deixou a faixa de alerta e passou para a faixa de atenção, com 41,7% do volume útil total em 7 de outubro.

Mercanti explicou o estabelecimento do fenômeno El Niño a partir de junho, com intensificação prevista até o final do ano e arrefecimento no primeiro trimestre do próximo ano. Segundo projeções, as chuvas devem se concentrar mais na região Sul e no Uruguai nos próximos meses, enquanto o estado de São Paulo deve apresentar volumes ligeiramente acima da média, embora com a formação de alta pressão quente no verão, o que dificulta a progressão de frentes frias.

“Apesar dessa chuva, nós não estamos confortáveis. Podemos ter problemas lá na frente, com um verão muito quente e seco”, alertou Mercanti. Ele também chamou a atenção para os riscos do desmatamento na Amazônia, apontando que sua destruição transformaria a região em um deserto devido à interrupção dos ventos úmidos de noroeste.

Próxima reunião

A 114ª Reunião Ordinária da CT-Indústria será realizada por videoconferência no dia 9 de dezembro, a partir das 9h.

Primeira atividade desse tipo da 3ª edição do Movimento “Jovem, vem para o PCJ” apresentou equipamentos, sistemas e aplicações dos dados para a gestão das águas

No dia 23 de setembro de 2026, foi realizada a primeira visita técnica da 3ª edição do movimento “Jovem, vem para o PCJ”, que teve como tema o monitoramento hidrometeorológico. Participaram da atividade jovens e tutores representantes das entidades-membro dos Comitês PCJ que integram o movimento, referente ao período de 2025 a 2027.

Com apoio e explanação do engenheiro ambiental Carlos Souza, da SP Águas, a visita começou na Estação Hidrometeorológica de Piracicaba, localizada na Rua do Porto, onde os participantes conheceram a estrutura e os instrumentos utilizados no monitoramento quantitativo das águas do Rio Piracicaba, incluindo cota, nível e vazão, além do monitoramento pluviométrico.

Na sequência, no auditório do Museu da Água de Piracicaba, Souza apresentou as funcionalidades dos instrumentos de monitoramento, a importância dos dados gerados e sua utilização nos processos de tomada de decisão. Entre os exemplos, destacou a gestão do Sistema Cantareira pela Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico dos Comitês PCJ (CT-MH), em articulação com a Sala de Situação do PCJ (SSPCJ) e o Sistema de Suporte a Decisões das Bacias PCJ (SSD-PCJ), entre outros sistemas voltados à gestão e à sustentabilidade hídrica nas Bacias PCJ.

A programação foi encerrada com uma visita guiada ao Museu da Água, durante a qual os participantes conheceram a história do local, que abrigou a primeira estação de captação e bombeamento de água de Piracicaba. Também foram apresentados equipamentos utilizados em seu funcionamento, como bombas, tubulações e aquedutos, além da importância da estação para a comunidade local à época de sua instalação.

A visita técnica proporcionou aos jovens uma experiência prática sobre o monitoramento hidrometeorológico, ampliando conhecimentos e promovendo a troca de experiências sobre um tema fundamental para a gestão dos recursos hídricos nas Bacias PCJ.

Precipitações históricas e atípicas ficaram entre 200% e 400% acima da média; Sistema Cantareira deixou faixa de alerta e passou a operar na faixa de atenção

06 de outubro de 2026

Os efeitos do grande volume de chuvas registrado em setembro nos mananciais das Bacias PCJ e no Sistema Cantareira foram um dos principais assuntos da 284ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), realizada por videoconferência nesta terça-feira, 6 de outubro, sob a condução do coordenador Alexandre Vilella e do coordenador-adjunto Luís Filipe Rodrigues.

O encontro também contou com a participação do secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, que aproveitou a reunião para divulgar o evento on-line “Balanço parcial do Período Seco 2026 e Perspectivas 2027 nas Bacias PCJ”, promovido pela Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL), em parceria com a Ares-PCJ, no dia 11 de novembro, das 9h às 12h, com transmissão pelo canal da Ares no YouTube. Uma das palestras será apresentada por membros da CT-MH.

Com precipitações históricas e atípicas, entre 200% e 400% acima da média, as vazões dos principais rios da região aumentaram significativamente e mantiveram níveis confortáveis. No Sistema Cantareira, o cenário também melhorou, com a saída da faixa de alerta e a entrada na faixa de atenção.

De acordo com Vilella, além dos efeitos positivos, as chuvas de setembro provocaram alguns extravasamentos e enchentes e trouxeram incertezas às previsões meteorológicas sobre a possibilidade de terem antecipado o período chuvoso ou se o padrão normal de verão será mantido.

“Num momento de tantas mudanças climáticas, acho que a maior certeza é lidar com as incertezas. Esse é um dos nossos grandes desafios aqui”, observou o coordenador da CT-MH. “Embora com alguns impactos negativos em virtude de extravasamentos e enchentes, foi um mês completamente atípico. Evidentemente, isso trouxe muitos efeitos positivos, não só para o Cantareira, mas também para os outros mananciais, que conseguem fazer sua recarga, assim como o solo. Quem é mais da área da engenharia sabe que este setembro de 2026 vai entrar para a série histórica”, completou.

Apresentações

Entre os itens fixos da pauta da CT-MH, Vilella apresentou a situação dos mananciais e do Sistema Cantareira, além das condições hidrometeorológicas, informações dos usuários e ocorrências registradas em setembro. Em 5 de outubro, o Cantareira estava com 41,2% de seu volume útil. Na mesma data de 2025, o índice era de 27,3%; em 2024, de 49,7%. A média parcial de descargas do Cantareira para as Bacias PCJ em 2026 é de 7,29 m³/s. Até 5 de outubro, o volume de água utilizado do sistema era de 79,98 hm³, equivalente a 50,6% do total de 158,1 hm³ disponíveis anualmente no período seco, que vai até 30 de novembro.

Na apresentação da Sala de Situação PCJ, Carlos Henrique de Souza trouxe dados sobre as chuvas e vazões registradas em setembro de 2026 e as perspectivas para os próximos meses. Segundo ele, eram esperadas precipitações entre 25 e 75 milímetros no mês. No entanto, os acumulados variaram entre 150 e mais de 400 mm.

Souza apontou que as 21 estações telemétricas registraram chuvas acima da média. O maior acumulado foi registrado na estação Rio Atibainha Mascate, em Nazaré Paulista, com 451 mm, e o menor, na estação Rio Corumbataí Novo Batovi, com 157,2 mm. Com isso, de acordo com o Monitor de Secas da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), houve recuo da condição de Seca Grave para Seca Moderada nas Bacias PCJ. As vazões da maior parte dos rios ficaram entre 200% e mais de 400% da média histórica.

Na apresentação sobre as previsões meteorológicas, o coordenador do GT-Previsão do Tempo, Jorge Mercanti, avaliou o desempenho da previsão hidrológica de setembro e detalhou a análise meteorológica, com destaque para frentes estacionárias e linhas de instabilidade que provocaram chuvas intensas no Paraná e em São Paulo no início do mês. Mercanti apresentou as previsões do CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) e do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), indicando chuvas para a tarde de 5 de outubro e o dia seguinte, com novas precipitações contínuas previstas para os dias 15 e 16, mantendo os níveis hidrológicos em patamares confortáveis. Ele também abordou o aquecimento global e as previsões de temperaturas acima da média histórica para os próximos meses, alertando para a possibilidade de um verão mais quente e seco.

Deliberação sobre as vazões do Cantareira

No final da reunião, os membros da CT-MH deliberaram pela redução das vazões nos reservatórios de Cachoeira e Atibainha, de 2 m³/s para 1,50 m³/s, além da manutenção da atual vazão do Jaguari-Jacareí, de 0,25 m³/s. Com isso, a vazão total para as Bacias PCJ passou a ser de 3,25 m³/s.

Próxima reunião

A 285ª Reunião Ordinária da CT-MH está agendada para 5 de novembro de 2026, a partir das 9h, na Barragem do Jaguari, em Vargem (SP).

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