Participantes compartilharam experiências e sugestões para aprimorar o projeto durante reunião virtual
20 de outubro de 2026
Ações em andamento e novos projetos na área de educação ambiental planejados pelos Comitês PCJ, com apoio da Agência das Bacias PCJ, foram debatidos durante a 140ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Educação Ambiental (CT-EA), realizada por videoconferência nesta terça-feira, 20 de outubro. O encontro foi conduzido pela coordenadora da CT-EA, Ana Lúcia Floriano.
No início da reunião, a coordenadora de Gestão da Agência PCJ, Kátia Gotardi, apresentou informações sobre o andamento das ações de educação ambiental acompanhadas pela Fundação Agência das Bacias PCJ, por meio da Coordenação de Gestão. Segundo ela, três novas frentes estão em planejamento. Uma delas prevê o desenvolvimento de um jogo no estilo Role-Playing Game (RPG), relacionado à gestão dos recursos hídricos.
Outra proposta envolve os três Poderes — Legislativo, Judiciário e Executivo. “Envolve a questão política, entre aspas, mas o objetivo principal é despertar nesses governantes a questão da importância de se olhar para os planos municipais e para o Plano de Bacias, em termos de sustentabilidade hídrica”, explicou Kátia.
Também está sendo estudada a retomada do projeto Educadores e Educandos, voltado à capacitação de professores e ao engajamento de alunos na preservação dos recursos hídricos das Bacias PCJ. A iniciativa está relacionada ao desenvolvimento do RPG. “São três novas ações que nós estamos com a missão da construção do termo de referência e da realização da licitação para contratação de fornecedores para nos dar apoio”, explicou Kátia.
Entre os projetos em andamento, a coordenadora destacou o movimento “Jovem, Vem para o PCJ”, que já realizou encontros formativos a distância em 22 de julho, 5 e 19 de agosto e 9 de setembro, além de uma visita técnica relacionada ao monitoramento hidrometeorológico do Rio Piracicaba, no dia 23 de setembro. A programação prevê mais cinco encontros formativos, uma visita técnica em janeiro de 2027, com opções variadas, e o encerramento em 19 de maio de 2027. Também estão previstos três encontros para simulações de reuniões plenárias dos Comitês PCJ.
Kátia também apresentou avanços do projeto “Propriedade Rural Amiga da Água”, com destaque para o cadastro técnico municipal, que busca mapear informações sociais, técnicas, econômicas e ambientais das áreas rurais. O lançamento dos resultados do cadastro está previsto para 2 de dezembro, na Cati(SAA), em Campinas (SP). Já o cronograma de capacitações teóricas e práticas sobre mapas e conservação de estradas rurais está programado para o período de 17 de fevereiro a 2 de setembro de 2027.
Outro projeto educacional em andamento é o Escola da Água, desenvolvido pela Agência PCJ em parceria com o Consórcio PCJ e a Ares-PCJ, a partir de diretrizes definidas por um grupo formado por representantes de diferentes câmaras técnicas. Atualmente, está em curso a Capacitação para Operadores e Gestores de Sistemas de Tratamento de Água e Esgoto, iniciada em agosto.
“Que alegria, estamos vendo que está crescendo esse apoio. Vocês que são membros devem saber que foi uma conquista imensa a educação ambiental ter um apoio da Agência PCJ. Isso foi um cuidado muito especial, graças ao Sergio Razera (presidente da Agência) e ao Denis (Herisson da Silva), secretário-executivo dos Comitês PCJ”, ressaltou Ana Lúcia.
Depoimentos
Um dos destaques da reunião foi a participação de cinco integrantes do movimento “Jovem, Vem para o PCJ”, que compartilharam suas experiências e impressões sobre a iniciativa. Os depoimentos foram organizados por Stefani Barros, analista técnica da Coordenação de Gestão da Agência PCJ.
A primeira participante foi Isabela Volpato Teixeira, de 27 anos, engenheira florestal e mestranda no Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), onde trabalha com adolescentes de 12 a 17 anos em escolas da região do Sistema Cantareira. “A cada passo das coisas que eu estou aprendendo no projeto, percebo que existe um mundo muito maior do que eu imaginava, um mundo de complexidades e de coisas muito maiores. E tem sido bom assim entender essa grandiosidade e complexidade até para falar com os adolescentes”, comentou Isabela, que afirmou que recomendaria o movimento a outros jovens.
Josué Gonçalves, operador de estação de tratamento no Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Santa Bárbara d’Oeste e formado em Engenharia Química, afirmou que a participação no programa superou suas expectativas ao ampliar sua visão sobre a preservação dos recursos hídricos. “Conhecer todas essas instituições voltadas a estudar para preservar a qualidade, a disponibilidade dos recursos ambientais, principalmente os hídricos, é reconfortante. A minha expectativa no movimento — e que está sendo cumprida — é ampliar os meus conhecimentos nessa área, sejam em legislações, sejam em questões práticas, mesmo que são fora do meu universo de autarquia de saneamento”, afirmou.
Jainy Santos, de 23 anos, vinculada à Secretaria de Planejamento Ambiental de Vinhedo e formada em Biologia, relatou que a complexidade da gestão dos recursos hídricos nas Bacias PCJ trouxe desafios iniciais para assimilar as informações, especialmente diante do ritmo quinzenal das capacitações. “Foi uma surpresa positiva, para mim, ver que, apesar desses desafios, dessa complexidade, as Bacias PCJ são muito organizadas no sentido de estruturação, porque para mim é uma área muito grande, mais de 15.000 km². São muitas câmaras técnicas, mais de 700, 800 membros e ainda assim existe uma organização, uma estrutura que funciona”, elogiou. “Nas formações que tivemos aqui, conseguimos construir uma macrovisão da condição do estresse hídrico que a bacia vive, que antes eu não tinha de uma forma aprofundada”, concluiu.
Bruno Prado, de 40 anos, gestor e analista ambiental em Vinhedo, sugeriu vincular os jovens a projetos práticos específicos de cada câmara técnica, facilitando a compreensão gradual do funcionamento dos Comitês PCJ. “Eu acho que, concretamente, o que mais me pegou foi ter tido uma noção melhor de todos os âmbitos do PCJ. Cinco instituições diferentes. Isso é uma coisa que a gente não tem nem ideia quando está do lado de fora e que, mesmo ouvindo uma vez, outras vezes, ainda fica um pouco nebuloso. Então é realmente um processo de entender”, avaliou.
Em depoimento gravado em vídeo, Carolina Damaceno Aquino, de 38 anos, colaboradora do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae) de Mogi Mirim, destacou que suas expectativas foram superadas pela troca interdisciplinar de conhecimentos sobre recursos hídricos e gestão integrada. Entre os desafios, mencionou a administração do tempo e a adaptação aos termos técnicos. Ela também sugeriu ampliar as visitas técnicas e promover a participação de jovens em projetos das câmaras técnicas do início ao fim. “O movimento não é só um aprendizado profissional, é para crescimento pessoal também. Eu quero levar isso para a minha vida e também para o meu município”, disse.
Após os depoimentos, os membros da CT-EA debateram a evolução do projeto e possíveis melhorias para a quarta edição do movimento, prevista para 2028. A proposta é realizar um encontro presencial no início de 2027 para discutir o tema. “Eu entendo que esse projeto veio para ficar e com o objetivo de transformação”, observou Kátia.
GEA de Itatiba
A reunião também contou com a apresentação de Juriene Pereira da Silva, diretora da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Profª Nazareth de Siqueira Rangel Barbosa, de Itatiba (SP). Ela compartilhou experiências dos projetos de educação ambiental desenvolvidos pelo Grupo de Estudos Ambientais (GEA) da escola.
O grupo reúne estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental para desenvolver projetos práticos de sustentabilidade e preservação da natureza. As iniciativas apresentam resultados positivos e repercussão na região, e o trabalho foi elogiado pelos membros da CT-EA.
Para conhecer melhor os projetos, acesse este link.
Próxima reunião
A 141ª Reunião Ordinária da CT-EA está agendada para 1º de dezembro, a partir das 9h30, na sede do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), em Nazaré Paulista (SP).
