| Mês: junho de 2026

Evento promovido pelo Gaema PCJ, em parceria com a Agência das Bacias PCJ, reuniu gestores e técnicos ambientais da Região Metropolitana de Campinas

Representantes de municípios da Região Metropolitana de Campinas participaram, no dia 10 de junho, do Encontro Regional de Municípios – Planejamento e Estratégias de Recomposição Florestal, realizado na sede do Ministério Público do Estado de São Paulo, em Campinas (SP).

O evento foi construído em parceria entre a Agência das Bacias PCJ e o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema PCJ Campinas), e concebido como um espaço de articulação e capacitação para apoiar os municípios na elaboração de instrumentos de planejamento territorial, tendo como referência o Plano Diretor de Recomposição Florestal (PDRF) e suas diretrizes previstas no Plano das Bacias PCJ.  

A atividade teve como objetivo orientar gestores públicos e equipes técnicas da área ambiental na elaboração de estratégias municipais voltadas à recomposição florestal e à proteção de mananciais, contribuindo para o fortalecimento das políticas ambientais e de segurança hídrica na região.

De acordo com os organizadores, a iniciativa representa um marco importante para a retomada e fortalecimento da implementação dos planos municipais de recomposição florestal, buscando consolidar arranjos institucionais locais capazes de transformar planejamento em ações concretas de conservação e recuperação ambiental.

Durante o encontro, foram apresentadas ferramentas, diretrizes e oportunidades de apoio técnico para que os municípios avancem na construção de seus planos e instrumentos de planejamento territorial. As discussões tiveram como referência o PDRF e as metas estabelecidas no Plano das Bacias PCJ.

A programação contou com uma série de apresentações da Agência das Bacias PCJ. A analista técnica Carolina Oliveira, da Coordenação de Sistemas de Informação, abordou o Plano das Bacias PCJ e sua integração com as estratégias de proteção dos recursos hídricos. Na sequência, a analista técnica Bruna Petrini, da Assessoria Ambiental, apresentou as diretrizes, metas e demandas relacionadas ao PDRF e ao Caderno Temático de Recomposição Florestal, destacando sua importância para a conservação dos mananciais.

Os analistas de geoprocessamento Mateus Ismael e Gabriela Salata demonstraram aos participantes as bases de dados e ferramentas georreferenciadas disponibilizadas pela Agência das Bacias PCJ, que podem subsidiar diagnósticos e o planejamento ambiental nos municípios.

O assessor técnico Felipe Requena também apresentou mecanismos de financiamento e incentivo previstos na Política de Mananciais PCJ e destacou oportunidades para viabilização de ações locais de recomposição florestal e conservação ambiental.

Encerrando a participação da Agência PCJ, a diretora técnica Patrícia Barufaldi ressaltou a importância do envolvimento dos municípios na elaboração dos planos de recomposição florestal, enfatizando que o planejamento estruturado é fundamental para direcionar investimentos e ampliar os resultados das ações de recuperação ambiental.

O encontro também contou com a participação dos promotores de Justiça do Gaema PCJ Campinas, Flávia Travaglini Zulian e Rodrigo Sanches Garcia, que reforçaram a relevância do planejamento ambiental como instrumento para fortalecer a execução das políticas públicas municipais.

Toda a agenda do encontro está diretamente conectada às metas estabelecidas pelo Plano das Bacias PCJ, especialmente no âmbito do Caderno Temático de Recomposição Florestal e da Política de Mananciais PCJ. A iniciativa reforça a integração entre os municípios, o Ministério Público e a Agência das Bacias PCJ na construção de estratégias regionais voltadas à recuperação ambiental, à proteção dos mananciais, à segurança hídrica e à construção de territórios mais resilientes.

Reunião realizada no Museu da Água de Piracicaba marcou o início da operação especial prevista na outorga e debateu cenários hidrológicos para os próximos meses

1º de junho de 2026

A 280ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, realizada nesta segunda-feira, dia 1º de junho, no Museu da Água de Piracicaba, marcou o início do “período seco” de 2026, que vai até o mês de novembro. Desde o início da outorga da ANA/DAEE(SP Águas) de 2017, os Comitês PCJ assumem a gestão das descargas de água do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) neste período de seis meses.

Esse gerenciamento é realizado por meio da CT-MH, que monitora o volume dos rios, realiza previsões hidrometeorológicas e decide diariamente, em conjunto com os órgãos gestores de recursos hídricos, qual a vazão de água será liberada das barragens do Cantareira para o abastecimento de 19 municípios das Bacias PCJ, com cerca de 3,5 milhões de habitantes que dependem diretamente dessas águas. 

Neste ano, a preocupação está redobrada, já que o Cantareira iniciou o período seco em estado de atenção, com 40,2% de sua capacidade de armazenamento. “É um dia sempre marcante, porque hoje é o primeiro dia útil da transição do período úmido para o período seco deste ano. Neste ciclo agora, os Comitês PCJ assumem o protagonismo da gestão das descargas do Sistema Cantareira, em um período de muitos desafios, com muitas incertezas climáticas ainda para o segundo semestre, o que vai demandar uma gestão muito daquilo que o PCJ mais sabe fazer: com muita parcimônia, muita responsabilidade, atendendo às regras operativas e, claro, as demandas tanto de quantidade quanto qualidade dos usuários, para que a gente possa economizar o máximo possível, garantindo os abastecimentos de todos os setores usuários.  Teremos que esperar o próximo início do período chuvoso, para ter um pouco mais de clareza do que a gente vai ter de cenário em 2027. Isso é um pouco que a gente debateu aqui, olhando esses cenários, tanto no curto prazo quanto mais no médio prazo, e, portanto, é dessa forma que a CT-MH vai atuar ao longo do segundo semestre”, explicou o coordenador da câmara técnica, Alexandre Vilella.

A abertura da reunião contou com a participação do anfitrião, o atual presidente do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) de Piracicaba, Ronald Pereira da Silva, que destacou a atuação dos Comitês PCJ. “Piracicaba é a última cidade que se serve do Rio Corumbataí e também a última cidade que capta água do Rio Piracicaba. A gestão dos outros municípios nos recursos hídricos nos afeta diretamente na qualidade dos nossos dois mananciais. Então a gente sabe da importância desse monitoramento, dessas discussões e ações concretas que os Comitês PCJ tomam, a importância disso para toda a população”, ressaltou.

Ronald também falou sobre os investimentos que o Semae e a Prefeitura de Piracicaba têm realizado. “Estamos investindo valores vultuosos. Conseguimos melhorar muito o nosso índice de perdas, que já foi enorme. Conseguimos a construção de novas adutoras, novos reservatórios, trocas de rede, um conjunto de obras, reformulações nas captações, reformas também nas estações de tratamento de água, e isso está gerando um impacto muito positivo, não só na imagem do Semae, mas também para a população”, afirmou.

Em seguida, o secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, parabenizou as ações do Semae. “É uma revolução que está sendo feita dentro da instituição. Um exemplo para que todos os municípios sigam esse mesmo caminho em prol da segurança hídrica”, enalteceu. Denis ainda destacou a importância do planejamento que é feito pela CT-MH e pelos colegiados. “Vamos novamente passar por um período seco.  Não dá para colocarmos isso como uma coisa normal.  Temos que começar a fazer planejamento, e planejamento não fazemos sozinho.  Por isso que eu fico feliz por estarmos aqui nessa reunião, com uma participação massiva dos membros”, comentou.

O diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ também destacou o trabalho realizado pelos membros da CT-MH e Comitês PCJ como um todo. “A experiência de vocês, com tecnologia e com parcimônia, com capacidade que a gente tem, esse é o grande diferencial dos Comitês PCJ. Eu sempre falo, nós temos capacidade para fazer as coisas olhando para uma bacia hidrográfica e não só cada um olhando para o seu umbigo. Esse é o grande diferencial, isso que a gente aprendeu a fazer aqui no PCJ faz 30 anos. Olhar a Bacia Hidrográfica. Solidariedade regional, mais do que tudo”, enfatizou. “Tenho certeza que a gente vai superar (essa estiagem), com o apoio, com o trabalho de vocês. Na Agência das Bacias PCJ, estamos trabalhando com todos para que tenhamos uma gestão cada vez melhor e mais eficiente. Então, vamos juntos, trabalhando e fazendo ações que possam melhorar cada vez mais o nosso modo de fazer a gestão”, acrescentou.

Apresentações

Durante a reunião, como ocorre em todos os encontros mensais da CT-MH, houve diversas apresentações.  Vilella discorreu sobre a situação dos mananciais, Sistema Cantareira, informações dos usuários e das condições hidrometeorológicas, além de abordar ocorrências registradas durante o mês de maio de 2026.

Na apresentação da Sala de Situação PCJ, a engenheira ambiental Cátia Casagrande falou sobre as chuvas e vazões dos rios durante o mês de maio e as perspectivas para os próximos meses.  No mês passado, eram esperados acumulados de chuva em torno de 25 a 75 milímetros. No entanto, na maior parte do território das Bacias PCJ, as precipitações variaram entre 25 e 100 mm, enquanto em maio de 2025, os acumulados foram de 0 a 50 mm.  Das 23 estações telemétricas, apenas oito registraram chuvas abaixo da média em maio deste ano. O maior acumulado foi na estação “Rio Cachoeira/Captação Piracaia”, com 92,6 mm. Já o menor acumulado foi registrado na estação “Rio Jundiaí/ Campo Limpo Paulista”, com 36,2 mm.

O coordenador do GT-Previsão do Tempo, Jorge Mercanti, acompanhado do coordenador de operações do Simepar, Marco Jusevicius, apresentaram as previsões meteorológicas para os próximos meses e debateram com os membros da CT-MH sobre a probabilidade de influência mais forte do fenômeno climático El Niño a partir de outubro e novembro.  Segundo eles, ainda é incerto qual será a força e a influência do fenômeno na região.

Deliberação/Cantareira

No final do encontro, na primeira deliberação sobre a gestão do Sistema Cantareira, os membros da CT-MH decidiram manter a atual descarga de 10,25 m³/s para as Bacias PCJ, sendo 0,25 m³/s no Jaguari/Jacareí, 4,50 m³/s no Cachoeira e 5,50 m³/s no Atibainha.

Próxima reunião

A 281ª Reunião Ordinária da CT-MH está agendada para o dia 2 de julho, a partir das 9h, por videoconferência.

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