| Dia: 10/06/2026

Câmara Técnica debateu cenário hídrico das Bacias PCJ e acompanhou apresentação sobre uso de inteligência artificial no controle de processos da refinaria em Paulínia (SP)

10 de junho de 2026

A Câmara Técnica de Uso e Conservação da Água na Indústria (CT-Indústria) dos Comitês PCJ realizou, nesta quarta-feira, 10 de junho, sua 111ª Reunião Ordinária em uma sala administrativa da Refinaria da Petrobrás (Replan), em Paulínia (SP). O encontro reuniu representantes de diversos setores, especialmente o setor industrial, para discutir temas relacionados à gestão dos recursos hídricos e conhecer experiências adotadas pela refinaria no tratamento de efluentes industriais.

Para o coordenador da CT-Indústria, Jorge Mercanti, a realização da reunião na Replan proporcionou aos participantes uma oportunidade de conhecer uma referência nacional em gestão ambiental e tratamento de despejos industriais.

“Fazer a reunião na Replan foi muito importante pelo pioneirismo da empresa no tratamento de efluentes e pela sua relevância como indústria de grande porte. A apresentação sobre o sistema de lodos ativados superou as expectativas, especialmente pelas inovações no controle de processos. O sistema aqui é fantástico. Hoje é tudo automatizado, com resultados excelentes no controle da qualidade do efluente. O uso da inteligência artificial de forma prática, trazendo benefícios concretos para a operação, serve de exemplo para outras indústrias. Vale a pena investir em IA no controle de processos”, destacou Mercanti.

A abertura da reunião foi conduzida pelo gerente de Meio Ambiente da Replan, Valdir Pinheiro, que apresentou as principais ações desenvolvidas pela refinaria na área ambiental e de gestão dos recursos hídricos. Segundo ele, a água desempenha papel estratégico no processo produtivo da unidade, o que exige investimentos contínuos em eficiência, tratamento e reuso. A refinaria tem capacidade para processar 69 milhões de litros de petróleo por dia.  A água utilizada no processo industrial é captada no Rio Jaguari e, depois de tratada, é lançada no Rio Atibaia.

“Estamos reutilizando cerca de 25% da água captada no Rio Jaguari e buscamos ampliar esse percentual. Mesmo com novos projetos e aumento da capacidade da refinaria, mantemos a mesma outorga desde 2010, sem ampliar o volume captado. Entendemos que a água é um recurso limitado e que deve ser gerido de forma responsável para garantir sua disponibilidade para todos os usuários das Bacias PCJ”, afirmou.

Na sequência, os participantes acompanharam uma atualização sobre a situação do Sistema Cantareira e das Bacias PCJ, apresentada por Jorge Mercanti. Foram abordadas as condições hidrológicas atuais, previsões meteorológicas e a possibilidade de influência do fenômeno El Niño nos próximos meses.

Em uma de suas análises, Mercanti apresentou dados da média climatológica anual na estação meteorológica da Replan, que entre junho de 2025 e maio de 2026, foi de 1.148 milímetros. Em 2014, durante a crise hídrica, a média na mesma estação foi de 1.005 mm. No Sistema Cantareira, a média entre junho de 2025 e maio de 2026, foi de 1.190 mm. Já em 2014, ficou em 964mm.

Destaque

Um dos destaques da programação foi a palestra “Unidade de Tratamento de Despejos Industriais – Sistema de Lodos Ativados”, ministrada pelo engenheiro de processamento da Petrobrás/Replan, Joelmir Augusto Costa Dias. A apresentação detalhou o funcionamento da estação de tratamento de efluentes da refinaria, com ênfase na utilização de inteligência artificial para otimização operacional, incluindo o controle da amônia e o monitoramento dos níveis dos tanques de drenagem. A aplicação de ferramentas automatizadas e de inteligência artificial tem contribuído para aumentar a eficiência do processo, melhorar o controle da qualidade dos efluentes tratados e permitir que os operadores concentrem esforços em atividades estratégicas da planta.

Novo membro

Durante a reunião, também foi aprovada a entrada da Prefeitura de Valinhos como novo membro da CT-Indústria. O município será representado por Theophilo Olyntho de Arruda Neto, como titular, e Marina Boralli, como suplente. A inclusão reforça a participação de diferentes setores e instituições nas discussões voltadas ao uso racional e à conservação dos recursos hídricos nas Bacias PCJ.

Próxima reunião

A 112ª Reunião Ordinária da CT-Indústria será por vídeo conferência e está agendada para o dia 12 de agosto, a partir das 9h.

Evento promovido pelo Gaema PCJ, em parceria com a Agência das Bacias PCJ, reuniu gestores e técnicos ambientais da Região Metropolitana de Campinas

Representantes de municípios da Região Metropolitana de Campinas participaram, no dia 10 de junho, do Encontro Regional de Municípios – Planejamento e Estratégias de Recomposição Florestal, realizado na sede do Ministério Público do Estado de São Paulo, em Campinas (SP).

O evento foi construído em parceria entre a Agência das Bacias PCJ e o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema PCJ Campinas), e concebido como um espaço de articulação e capacitação para apoiar os municípios na elaboração de instrumentos de planejamento territorial, tendo como referência o Plano Diretor de Recomposição Florestal (PDRF) e suas diretrizes previstas no Plano das Bacias PCJ.  

A atividade teve como objetivo orientar gestores públicos e equipes técnicas da área ambiental na elaboração de estratégias municipais voltadas à recomposição florestal e à proteção de mananciais, contribuindo para o fortalecimento das políticas ambientais e de segurança hídrica na região.

De acordo com os organizadores, a iniciativa representa um marco importante para a retomada e fortalecimento da implementação dos planos municipais de recomposição florestal, buscando consolidar arranjos institucionais locais capazes de transformar planejamento em ações concretas de conservação e recuperação ambiental.

Durante o encontro, foram apresentadas ferramentas, diretrizes e oportunidades de apoio técnico para que os municípios avancem na construção de seus planos e instrumentos de planejamento territorial. As discussões tiveram como referência o PDRF e as metas estabelecidas no Plano das Bacias PCJ.

A programação contou com uma série de apresentações da Agência das Bacias PCJ. A analista técnica Carolina Oliveira, da Coordenação de Sistemas de Informação, abordou o Plano das Bacias PCJ e sua integração com as estratégias de proteção dos recursos hídricos. Na sequência, a analista técnica Bruna Petrini, da Assessoria Ambiental, apresentou as diretrizes, metas e demandas relacionadas ao PDRF e ao Caderno Temático de Recomposição Florestal, destacando sua importância para a conservação dos mananciais.

Os analistas de geoprocessamento Mateus Ismael e Gabriela Salata demonstraram aos participantes as bases de dados e ferramentas georreferenciadas disponibilizadas pela Agência das Bacias PCJ, que podem subsidiar diagnósticos e o planejamento ambiental nos municípios.

O assessor técnico Felipe Requena também apresentou mecanismos de financiamento e incentivo previstos na Política de Mananciais PCJ e destacou oportunidades para viabilização de ações locais de recomposição florestal e conservação ambiental.

Encerrando a participação da Agência PCJ, a diretora técnica Patrícia Barufaldi ressaltou a importância do envolvimento dos municípios na elaboração dos planos de recomposição florestal, enfatizando que o planejamento estruturado é fundamental para direcionar investimentos e ampliar os resultados das ações de recuperação ambiental.

O encontro também contou com a participação dos promotores de Justiça do Gaema PCJ Campinas, Flávia Travaglini Zulian e Rodrigo Sanches Garcia, que reforçaram a relevância do planejamento ambiental como instrumento para fortalecer a execução das políticas públicas municipais.

Toda a agenda do encontro está diretamente conectada às metas estabelecidas pelo Plano das Bacias PCJ, especialmente no âmbito do Caderno Temático de Recomposição Florestal e da Política de Mananciais PCJ. A iniciativa reforça a integração entre os municípios, o Ministério Público e a Agência das Bacias PCJ na construção de estratégias regionais voltadas à recuperação ambiental, à proteção dos mananciais, à segurança hídrica e à construção de territórios mais resilientes.

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