| Dia: 28/05/2026

Adriana Isenburg apresentou planejamento e investimentos da Sanasa para ampliar a segurança hídrica do município

28 de maio de 2026

A Câmara Técnica do Plano de Bacias (CT-PB) dos Comitês PCJ realizou, em 28 de maio, sua 116ª Reunião Ordinária por videoconferência. O principal destaque da pauta foi a apresentação do “Plano Campinas 2030 – Programa de Segurança Hídrica para Campinas”, iniciativa da Sanasa Campinas voltada à ampliação da segurança hídrica e da infraestrutura de saneamento do município, com a universalização do saneamento e a redução de perdas de água até 2030. A reunião foi conduzida pela coordenadora da CT-PB, Raquel Metzner, representante do IPSA-C, e pelo coordenador adjunto Gustavo Prado, da Assemae.

Durante a apresentação, a gerente de Integração, Controle e Desenvolvimento Tecnológico da Sanasa e ex-coordenadora da CT-PB (2015 – 2019), Adriana Isenburg, detalhou o planejamento, investimentos previstos e resultados do programa, que contempla mais de 100 obras distribuídas por diferentes regiões da cidade. A iniciativa é baseada no Plano Municipal de Saneamento Básico de Campinas, aprovado em 2013 e revisado em 2024.  

Adriana também destacou a importância do Plano das Bacias PCJ e seus cinco cadernos temáticos. “Esses cinco cadernos são muito representativos. Para mim, é um guia para nosso trabalho. A gente precisa integrar as metas municipais com as metas das bacias”, afirmou.

As ações do Plano Campinas 2030 têm como objetivo garantir o abastecimento de água de forma segura e sustentável, acompanhando o crescimento socioeconômico do município nos próximos anos. Entre as metas estão o aumento da capacidade de reservação, redução de perdas físicas, ampliação da capacidade da água de reúso e implantação do novo sistema produtor de água Jaguari, a partir da barragem de Pedreira.  

Índices

Campinas possui quase 1,2 milhão de habitantes. Atualmente, 99,95% da população urbana é atendida pela rede de distribuição de água. A coleta de esgoto está em 97,14% e o tratamento chega a 94,3%. O índice de perdas na distribuição atingiu 16,58% em dezembro de 2025 e deve avançar para 15%.  

“No momento, estamos chegando nisso (15%). Temos investido demais. Nós atingimos todas as metas, mas estamos ainda trabalhando com mais um lote de troca de redes bem grande, que devemos começar ainda este ano”, observou Adriana.

Entre as intervenções apresentadas estão a implantação de 20 novos reservatórios – totalizando 100 unidades, com capacidade de reservação de 198 milhões de litros -, a substituição de 527 quilômetros de redes de distribuição de água, a instalação de 286 quilômetros de novas redes de água, incluindo 40 quilômetros de novas adutoras, além da implantação de 200 quilômetros de redes de esgoto e 16 quilômetros de coletores e emissários.

“Quando passamos pela crise hídrica de 2014/2015, o que nos salvou foram os reservatórios. A gente enchia os reservatórios à noite para poder atender a população durante o dia. Então, vimos que precisávamos ampliar a reservação. Foi nisso que trabalhamos nesses últimos anos com um aumento significativo da capacidade”, comentou a gerente da Sanasa.

O programa também previu a ampliação de três estações de tratamento de esgoto e a conversão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Anhumas em Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR). Com isso, a expectativa é de que Campinas alcance a marca de 53% do esgoto tratado em nível terciário.

“Nós temos que pensar em remoção de nitrogênio e fósforo. Isso é fundamental. É a única maneira de recuperar nossos recursos hídricos. É dessa forma que temos trabalhado e buscado aumentar os nossos índices”, ressaltou Adriana.

Capacitação

A pauta contou ainda com uma apresentação de Raquel Quirino, da equipe de apoio da Secretaria Executiva dos Comitês PCJ, sobre a capacitação dos membros dos colegiados, abordando critérios e metas relacionados às ações de formação promovidas junto às câmaras técnicas.

Plano das Bacias PCJ e Barragens

No encontro, também foram tratados assuntos gerais de interesse da CT-PB, como o edital para a contratação de empresa especializada para fazer a revisão do Plano das Bacias PCJ 2020-2030, publicado neste mês de maio pela Agência das Bacias PCJ, em informe realizado pelo coordenador de Sistema de Informações, Eduardo Léo.  A notícia sobre a licitação pode ser acessada neste link.

O assessor técnico do Consórcio PCJ, Flávio Stenico, divulgou a Carta pela Sustentabilidade Hídrica das Bacias PCJ, lançada este ano pela instituição. Segundo ele, o material deve auxiliar nas discussões sobre planejamento macrorregional e aumento de demanda hídrica. Ele também apresentou dados sobre o andamento da execução de três grandes obras de reservação hídrica nas bacias PCJ: as barragens de Pedreira, Duas Pontes e Ribeirão Piraí, destacando as recentes visitas técnicas realizadas com membros dos comitês para acompanhar o cronograma das obras.

Próxima reunião

A 117ª Reunião Ordinária da CT-PB está agendada para o dia 28 de julho, a partir das 9h, por videoconferência.

Encontro virtual reuniu representantes de instituições ligadas à gestão hídrica, saneamento e regulação para debater estratégias de resiliência e segurança hídrica nas Bacias PCJ

O fortalecimento do planejamento preventivo e da atuação integrada entre instituições marcou o evento “Resiliência em Períodos de Estiagem: Planejamento para Implementação de Planos de Contingência para Escassez Hídrica”, realizado nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, de forma on-line, com transmissão pelo canal da Ares-PCJ (Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias PCJ) no YouTube.

Promovido pelo GT (Grupo de Trabalho)-Estiagem, da Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL) dos Comitês PCJ e pela Ares-PCJ, com apoio da Agência das Bacias PCJ, o encontro reuniu especialistas, gestores públicos, representantes de agências reguladoras e profissionais do setor de saneamento para discutir estratégias voltadas ao enfrentamento da escassez hídrica nas Bacias PCJ.

Ao longo da programação, foram debatidos temas como protocolos de escassez hídrica, planejamento municipal, instrumentos regulatórios, perdas nos sistemas de abastecimento e ações emergenciais e estruturantes para aumento da resiliência hídrica da região.

Durante a abertura, o secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, destacou a importância da cooperação e do alinhamento técnico-institucional para a preparação dos municípios na atuação preventiva em cenários de escassez hídrica.

“Viramos de 2025 para 2026 com quase 20% de capacidade de armazenamento no Sistema Cantareira e tivemos chuvas que trouxeram certo alívio, mas a reservação continua em estado de atenção, somada ao advento de um ‘El Niño’ neste ano. Isso sempre traz incertezas em relação aos eventos climáticos e reforça a importância de estarmos debruçados sobre um planejamento conjunto, principalmente voltado às ações preventivas de resiliência”, ressaltou Denis.

Na sequência, representantes da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, da SP Águas, do Consórcio PCJ e da Agência das Bacias PCJ apresentaram um panorama das crises hídricas nas Bacias PCJ, os protocolos vigentes para períodos de escassez e ações de apoio aos municípios e prestadores de serviços de saneamento.

O diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ, Sergio Razera, ressaltou a importância do planejamento antecipado e das ações de combate às perdas de água e de proteção dos mananciais, como plantio de árvores e conservação do solo. Ele também destacou a necessidade de investir em sistemas de informação.

“Trabalhar um sistema de informações robusto, como temos feito — e ainda precisamos avançar cada vez mais — é fundamental para termos os dados necessários para essa resiliência que estamos construindo, que não tem dia para começar nem para terminar. Tem que ser ‘ad aeternum’. Como na gestão de recursos hídricos: não dá mais para parar. O Sistema de Gestão é uma das ações em que toda a Família PCJ vem atuando fortemente para dar a consistência necessária”, afirmou Razera, que também enfatizou a parceria do PCJ com os órgãos governamentais.

Regulação

A programação também contou com apresentações da Ares-PCJ e da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) sobre o papel da regulação na segurança hídrica, abordando instrumentos regulatórios, medidas prioritárias para períodos de estiagem e riscos relacionados ao abastecimento, como perdas de água, dependência de mananciais e capacidade de reservação.

O evento também debateu ações esperadas a curto, médio e longo prazo voltadas à eficiência operacional, aos planos municipais de contingência e à implementação de medidas estruturantes para aumento da resiliência hídrica nas Bacias PCJ. Ao final, os participantes puderam formular perguntas durante espaço aberto para debate.

Em suas considerações finais, o diretor técnico-operacional da Ares-PCJ, Rodrigo Leitão, destacou a importância da integração entre as instituições. “Agradeço a todos que participaram, tanto nas exposições quanto na audiência. Achei o evento fantástico. Esse é um passo importante na integração entre as instituições. Falamos sobre monitoramento, resoluções, normatizações, formas de antever problemas e atuar na solução deles, mas acredito que essa troca de experiências seja primordial para alcançarmos os resultados esperados de forma mais rápida dentro desse contexto. Aprendi muito. Foi muito útil ouvir todas essas apresentações e experiências. Ficamos à disposição e contamos sempre com essa integração”, concluiu.

Assista ao evento na íntegra:

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