| Dia: 24/08/2026

Reuniões com representantes da Faesp e de sindicatos rurais discutiram a Agenda do Fogo, a ampliação da Política de Mananciais PCJ e o fortalecimento de ações nas propriedades rurais

A Agência das Bacias PCJ recebeu, na quinta-feira, 20 de agosto, representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e de sindicatos rurais da região para duas importantes reuniões de alinhamento. Realizados na sede da Agência, os encontros abordaram ações de prevenção e combate a incêndios na zona rural e estratégias para ampliar a participação do setor rural nas iniciativas de proteção, recuperação e conservação dos mananciais das Bacias PCJ.

No período da manhã, o principal tema foi a Agenda do Fogo, iniciativa liderada pela Faesp em conjunto com outras instituições. A proposta é participar das articulações com o Governo do Estado de São Paulo para o planejamento de ações voltadas à prevenção e ao combate aos incêndios, especialmente diante dos alertas climáticos e dos períodos de maior risco de ocorrência.

A intenção da Federação é que a iniciativa tenha caráter permanente, contribuindo para a construção de estratégias duradouras de prevenção e enfrentamento aos incêndios rurais.

Participaram do encontro José Luiz Fontes, coordenador do Departamento de Sustentabilidade do Sistema Faesp/Senar; o coronel Alexandre Souza e Daniel Miranda, além dos diretores da Agência PCJ, Sergio Razera e Patrícia Barufaldi, e do secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva.

Política de Mananciais

No período da tarde, uma segunda reunião foi dedicada à discussão de estratégias para intensificar a participação dos sindicatos rurais e da Faesp na Política de Mananciais PCJ, especialmente nas iniciativas relacionadas ao Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e à recuperação ambiental.

O objetivo é ampliar o acesso das propriedades rurais a recursos destinados à proteção, recuperação e conservação dos mananciais, fortalecendo a participação dos produtores e das instituições ligadas ao setor rural nas ações desenvolvidas nas Bacias PCJ.

Durante o encontro, também foi apresentada a Cartilha Propriedade Rural Amiga da Água, desenvolvida pela Câmara Técnica de Uso e Conservação da Água no Meio Rural (CT-Rural) dos Comitês PCJ, com o apoio da Agência das Bacias PCJ. O material será lançado oficialmente ainda neste semestre e tem como objetivo levar informações e orientações que contribuam para a conservação da água e do meio ambiente nas propriedades rurais.

“Queremos a participação de todos de forma proativa. Mostramos a nossa estratégia de reuniões, de envolver todas as pessoas e instituições que estão ligadas à área rural para fazer chegar essa cartilha até esses interessados”, explicou Razera.

Além dos participantes da primeira reunião, o encontro da tarde contou com representantes dos sindicatos rurais da região. Luis Fernando Amaral Binda (Campinas), Nilton Picin (Limeira), Rogério Maluf (Monte Mor), João Ricardo Schmidt (Rio Claro), e Klever Coral (Piracicaba). A aproximação com as entidades representativas do setor rural busca fortalecer a integração entre os diferentes atores envolvidos na gestão dos recursos hídricos e ampliar o alcance das ações de proteção dos mananciais desenvolvidas nas Bacias PCJ.

Reunião Ordinária também elegeu nova coordenação do GT-Enquadramento e discutiu municipalização do licenciamento ambiental

21 de agosto de 2026

Na 123ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Outorgas e Licenças (CT-OL) dos Comitês PCJ, realizada no dia 21 de agosto, por videoconferência, foram eleitos os novos membros da coordenação da CT-OL e do Grupo de Trabalho de Enquadramento (GT-Enquadramento). Os participantes aprovaram, por unanimidade, a indicação de Claudia Debroi de Campos como coordenadora e de Cecília de Barros Aranha como coordenadora-adjunta. Na mesma ocasião, Nilceia Franchi foi aprovada como coordenadora do GT-Enquadramento.

Os membros também trataram do reenquadramento do ribeirão Anhumas. Rodrigo Sanches Garcia introduziu a pauta e explicou que o trabalho é realizado em parceria entre o Ministério Público (GAEMA), a Sanasa e a Cetesb, com o objetivo de promover a melhoria da qualidade da água e viabilizar a transição da classe 4 para a classe 3. Segundo ele, o objetivo atual é coletar dados e implementar melhorias que possam, futuramente, embasar uma proposta de reenquadramento pelos Comitês de Bacia.

Adriana Isenburg, da Sanasa, detalhou o monitoramento realizado em seis pontos da bacia do ribeirão Anhumas e apresentou dados trimestrais que indicam cargas poluentes elevadas em trechos críticos, incluindo a região central de Campinas e a área a montante da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Anhumas. A apresentação também destacou a modernização da ETE Anhumas, com a adoção da tecnologia Nereda e de membranas de ultrafiltração, projetada para ampliar a capacidade de tratamento e remover nitrogênio e fósforo.

Adriana Isenburg apontou como um dos principais gargalos a conclusão das obras da ETE Anhumas, prevista para dezembro. Segundo ela, ainda não há garantia da CPFL para a ampliação da carga de energia necessária ao funcionamento do novo sistema. Também foram relatadas dificuldades para a coleta de esgoto em áreas densamente povoadas, devido à falta de espaço para a instalação de redes convencionais e a problemas relacionados a conflitos condominiais em tentativas anteriores.

Como alternativas, foram discutidas possibilidades como a implantação de microssistemas de tratamento em pontos críticos do corpo d’água. Também foi ressaltada a necessidade de apoio das secretarias municipais de Meio Ambiente e Habitação para o enfrentamento de problemas ambientais em áreas de ocupação irregular.

Questionados por Adriano Prochowski sobre a utilização dos procedimentos e aprendizados obtidos com o processo de reenquadramento do rio Jundiaí, Adriana Isenburg e Rodrigo Sanches Garcia confirmaram que a experiência é utilizada como referência para as ações atuais. O trabalho concentra-se na identificação de poluidores e no mapeamento dos problemas por trechos, permitindo uma atuação mais direcionada.

Municipalização do licenciamento ambiental

Adriano Prochowski, da Prefeitura Municipal de Indaiatuba, falou sobre a municipalização do licenciamento ambiental nos municípios das Bacias PCJ, destacando a experiência de Indaiatuba, que aderiu ao licenciamento municipal em 2011. Entre os benefícios apontados estão a maior celeridade na análise dos processos, a proximidade entre o licenciamento e a fiscalização e a possibilidade de aplicação de maior rigor técnico, reduzindo a influência de pressões políticas locais.

O palestrante ponderou, contudo, que a transição exige investimentos em estrutura física, capacitação técnica dos profissionais e criação de leis municipais sólidas, em consonância com as legislações estadual e federal.

Prochowski defendeu ainda que a municipalização não deve ocorrer de forma isolada, mas ser pautada pela cooperação e pela troca de tecnologias entre os municípios. Ele reforçou que os planos municipais de saneamento, recursos hídricos e preservação da Mata Atlântica devem estar alinhados a uma visão regional. Como exemplo positivo, citou a união de quatro municípios na construção da barragem do ribeirão Piraí, que gerou benefícios em larga escala para a região.

O palestrante também destacou a necessidade de promover capacitação conjunta e alinhamento técnico entre os municípios para aprimorar o licenciamento e a gestão ambiental. Segundo ele, a criação de consórcios intermunicipais, a exemplo da experiência do Vale do Paraíba, permite o compartilhamento de estruturas e conhecimentos, funcionando como ferramenta de apoio sem que a Câmara Técnica assuma responsabilidade direta pelo licenciamento municipal.

Claudia Debroi de Campos sugeriu a criação de um grupo de trabalho (GT), no âmbito da Câmara Técnica, para oferecer diretrizes e promover o nivelamento de conhecimentos entre os municípios que enfrentam o desafio da municipalização do licenciamento. A proposta tem como objetivo facilitar a troca de experiências e criar um roteiro para reduzir dificuldades na implantação desses processos.

Cecília de Barros Aranha propôs que o futuro grupo de trabalho também aborde a inserção de instrumentos de recursos hídricos no licenciamento ambiental municipalizado, com foco em questões como a poluição difusa. Ela destacou a necessidade de discutir critérios para poços de absorção e a importância da legislação municipal de uso do solo para a proteção dos recursos hídricos.

Claudia Debroi de Campos e Cecília de Barros Aranha concordaram em pesquisar o funcionamento de consórcios intermunicipais para apresentar uma proposta estruturada aos membros na próxima reunião. Ficou definido que o grupo de trabalho terá caráter transitório e que sua criação deverá ser incluída como item de pauta na reunião de outubro.

Também foi aprovada a inclusão do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) como membro da Câmara Técnica, representado por Cecília de Barros Aranha.

O secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, informou sobre a saída de Ariana Rosa Bueno da Câmara Técnica de Outorgas e Licenças (CT-OL), em razão de uma reestruturação interna na SP Águas. Ele também expressou, em nome da Diretoria Colegiada, agradecimento pelo esforço e pela dedicação de Ariana aos Comitês PCJ ao longo de quase 20 anos.

Ariana Rosa Bueno agradeceu pela oportunidade de contribuir com a Câmara Técnica e manifestou o desejo de manter a colaboração com os Comitês PCJ no futuro. Claudia Debroi de Campos e Cecília de Barros Aranha também agradeceram pelos serviços prestados e pelo aprendizado compartilhado ao longo dos anos.

A próxima reunião da CT-OL está será realizada no dia 16 de outubro, às 9h30, presencialmente, no auditório do Paço Municipal de Salto/SP.

Edições anteriores

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support