| Dia: 30/04/2026

Iniciativas como Corredor Caipira e Movimento Viva Água marcaram a 12ª reunião do colegiado 

29 de abril de 2026

Projetos importantes para a gestão de recursos hídricos foram apresentados na 12ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Mananciais (CT-Mananciais), realizada no dia 29 de abril de 2026, na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP), em Piracicaba.

O primeiro destaque foi a parceria entre a ONG TNC (The Nature Conservancy) Brasil e o projeto “Corredor Caipira: Conectando paisagens e pessoas”. Karine Faleiros apresentou a iniciativa, que conta com um projeto piloto voltado ao desenvolvimento de um modelo de governança intermunicipal para conservação de paisagens.

O Corredor Caipira surgiu na Esalq, a partir de um grupo de estudantes, e atualmente é mantido pela Fealq, com atuação nos municípios de Santa Maria da Serra, Anhembi, Piracicaba, São Pedro e Águas de São Pedro, com foco na restauração de paisagens.

A parceria prevê que o Corredor Caipira atue como um braço da TNC, com o objetivo de ampliar ações de restauração das paisagens. A proposta é estruturar um modelo de governança intermunicipal que possa ser replicado em outras regiões. Entre os objetivos específicos estão diagnóstico, análises, definição de processos, elaboração de planos, estruturação da governança e acompanhamento técnico contínuo. A área de atuação abrange Piracicaba, São Pedro, Charqueada e Rio Claro.

Movimento Viva Água Boticário

Na sequência, Diogo Tomaszewski apresentou o Movimento Viva Água, iniciativa da Fundação Boticário voltada à segurança hídrica e à adaptação às mudanças climáticas, desenvolvida em parceria com instituições locais como Instituto Itaúsa, Comitês PCJ e Sebrae, entre outros.

Diogo, líder da secretaria executiva do movimento, explicou sua estrutura e funcionamento, destacando a existência de um conselho regional responsável por acompanhar métricas de segurança hídrica e apoiar a gestão dos recursos. O movimento atua em cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza e Belo Horizonte, com foco em três eixos estratégicos: conservação de mananciais, economia de impacto positivo e articulação e engajamento.

Também foram mencionados encontros presenciais para articulação estratégica, incluindo uma imersão realizada em 2026 nos municípios de Extrema (MG), Joanópolis (SP) e Bragança Paulista (SP). Atualmente, o movimento mantém diálogo com instituições como Sebrae, CEBDS, Ambev, Fundação Croda, Fundação Givaudan e o Observatório de Governança das Águas.

Atualizações da UCE Cantareira

Luis Eduardo Bernardini, coordenador da Agroflorestal Mantiqueira, apresentou a Unidade de Conservação e Envolvimento (UCE) Cantareira, contextualizando sua origem, desafios e atuação.

Foram destacados três eixos principais: fortalecimento da governança e do arcabouço legal, assessoria técnica em campo e desenvolvimento de indicadores de impacto. Em relação ao arcabouço legal, explicou que os trabalhos tiveram início com o diagnóstico em nove municípios, avançaram para a etapa de regulamentação e ajustes normativos e, atualmente, enfrentam desafios relacionados a barreiras legislativas e ao engajamento local.

Também foi ressaltado o papel do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) como instrumento catalisador das ações de proteção de mananciais. Entre as ações já realizadas, destacam-se a instalação de cercas e barraginhas nos municípios de Piracaia e Joanópolis. 

Proposta de Projeto FAPESP

O pesquisador Dr. Pedro Gerhard, da Embrapa Meio Ambiente de Jaguariúna, apresentou a pré-proposta do projeto “Conectar para se adaptar (Connection)”, que propõe uma abordagem integrada para políticas públicas municipais voltadas à segurança hídrica e à resiliência climática.

O projeto tem como foco as bacias hidrográficas e busca ampliar o engajamento entre cientistas, gestores públicos e sociedade, fortalecendo a tomada de decisão baseada em evidências. Entre os objetivos estão a avaliação de sinergias entre políticas públicas, capacitação de gestores e técnicos, mapeamento e monitoramento, modelagem de cenários, desenvolvimento de soluções baseadas na natureza (SbN) e criação de uma ferramenta digital para planejamento agroambiental integrado.

Política de Mananciais PCJ

Felipe Requena, assessor ambiental da Agência das Bacias PCJ, apresentou o cronograma de revisão da Política de Mananciais PCJ. Estão previstos, no mínimo, três encontros com o GT-Revisão: em maio, para apresentação da minuta; em julho, para discussão das contribuições; e em setembro, para validação final.

Na sequência, o documento será apreciado pela CT-Mananciais em outubro e encaminhado para deliberação final dos Comitês PCJ, na Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL), em novembro.

Outros encaminhamentos

Durante a reunião, foi aprovada a entrada da Companhia de Saneamento de Jundiaí (CSJ) como novo membro da Câmara Técnica, tendo como titular Alison Leandro Dias e suplente José Augusto Aguiar. Também foram recepcionados os jovens do programa “Jovem, vem para o PCJ”: Felipe, Laura e Luana, da Unesp Rio Claro.

Outro tema discutido foi a importância da capacitação dos membros dos Comitês PCJ. A analista da Secretaria Executiva, Thamiris Cardoso, destacou que a capacitação contínua é fundamental para reduzir assimetrias de conhecimento e fortalecer o embasamento técnico das decisões.

A iniciativa está vinculada à Deliberação CRH nº 248/2021, que avalia o desempenho dos comitês para a distribuição dos recursos da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH). A capacitação representa 25% da nota de desempenho dos comitês, sendo necessário que mais de 50% dos membros participem dessas atividades para o alcance da pontuação máxima.  

A próxima reunião da CT-Mananciais (13ª Ordinária) está prevista para o dia 24 de junho, às 9h, por videoconferência.

119ª Reunião Ordinária, realizada em 28 de abril, integrou grupos de trabalho e fortaleceu construção coletiva de ações

28 de abril de 2026

A Câmara Técnica de Saúde Ambiental (CT-SAM) promoveu uma atividade colaborativa voltada ao desenvolvimento de itens do Plano de Trabalho durante sua 119ª Reunião Ordinária, realizada no dia 28 de abril de 2026, em Valinhos.

Com o objetivo de construir coletivamente as ações prioritárias, os membros foram divididos em três grupos para discutir os temas relacionados aos grupos de trabalho GT-PSA, GT-Cartilha, GT-Laboratórios e GT-Portaria. Durante a dinâmica, os participantes responderam a questões orientadoras como: qual o objetivo da ação, quais serão as entregas concretas, quais atividades principais deverão ser desenvolvidas, quem são os atores envolvidos e qual o horizonte de execução, considerando curto e médio prazo.

Entre os temas debatidos estiveram monitoramento, segurança da água, educação ambiental e legislação.

Segundo a coordenadora da CT-SAM, Roseane Maria Garcia Lopes de Souza, a proposta da atividade foi promover a troca de conhecimentos e fortalecer a construção coletiva dos produtos da Câmara Técnica.

“Pela primeira vez trazemos o Plano de Trabalho para dentro da reunião ordinária. Com isso, conseguimos refletir sobre questões importantes, como a qualidade da água consumida nos municípios dos Comitês PCJ, o andamento dos Planos de Segurança da Água, a forma como a educação ambiental está sendo trabalhada com as crianças e o cumprimento das boas práticas e certificações. Reunimos, em uma única data, os quatro grupos de trabalho, o que tornou a atividade muito produtiva, como uma verdadeira oficina”, afirmou.

A relevância da educação ambiental também foi destacada pelo presidente do Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (DAEV S.A.) e vice-prefeito do município, Luiz Mayr Neto na abertura da reunião. Ele apresentou ações desenvolvidas no município para redução de perdas, como a troca de hidrômetros, o desassoreamento de represas, a futura construção de uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com água de reúso e iniciativas educativas voltadas às crianças, com o objetivo de formar agentes multiplicadores.

O vice-presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Valinhos (AEAAV), Helio Bortoletto Junior, também participou da abertura, dando as boas-vindas aos presentes.

Visita técnica

Após a reunião, os membros participaram de uma visita técnica à ETA I, ETA II, ao Centro de Controle Operacional (CCO) e à captação de água na Barragem das Figueiras.

Para a coordenadora da CT-SAM, Cassiana Maria Reganhan Coneglian, conhecer de perto os sistemas de abastecimento é fundamental para ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pelos municípios.

“Tendo em vista que a Câmara Técnica vem trabalhando com ações relacionadas ao Plano de Segurança da Água, conhecer o sistema de abastecimento de um município é importante para que os membros compreendam as realidades enfrentadas localmente. Muitas pessoas abrem a torneira sem imaginar o quanto o processo, desde a captação da água bruta até a distribuição da água tratada, é complexo e desafiador. Em Valinhos, visitamos uma ETA bastante antiga e uma unidade mais nova. Ambas, apesar dos desafios, entregam água de qualidade e atendem aos padrões de potabilidade. Isso torna a experiência extremamente relevante para os membros”, ressaltou.

A programação foi elogiada tanto por membros mais experientes quanto pelos recém-chegados à Câmara Técnica, como Josué Gonçalves, que ingressou à CT, por meio do programa Jovem Vem para o PCJ.

“A minha participação tem sido bastante produtiva e de muito aprendizado. Comecei no DAE como agente administrativo e migrei para a operação, onde conheci a área do saneamento. Ainda estou em uma fase de observação e aprendizado com quem já atua há mais tempo, mas considero o saneamento uma área fascinante. Participar da Câmara Técnica amplia minha visão, porque como operador conheço a rotina prática de uma estação de tratamento, mas aqui consigo compreender também o contexto político e técnico que subsidia a tomada de decisões voltadas à preservação dos recursos hídricos”, afirmou.

Capacitação em pauta

Outro tema abordado foi a importância da capacitação contínua dos membros dos Comitês PCJ. A analista da Secretaria Executiva, Thamiris Cardoso, destacou que o processo formativo é essencial para reduzir assimetrias de conhecimento e fortalecer o embasamento técnico das decisões.

A iniciativa está vinculada à Deliberação CRH nº 248/2021, que avalia o desempenho dos comitês para distribuição dos recursos da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH). A capacitação corresponde a 25% da nota de desempenho, sendo necessária a participação de mais de 50% dos membros para o alcance da pontuação máxima.

A próxima reunião da CT-SAM, a 120ª Ordinária, está prevista para o dia 23 de junho, às 9h, por videoconferência.

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