11ª Reunião Ordinária também debateu Manejo Integrado do Fogo e movimento Viva Água
13 de fevereiro de 2026
Conduzida por João José Demarchi, a 11ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Conservação e Proteção dos Mananciais (CT-Mananciais), realizada em 13 de fevereiro, por videoconferência, foi marcada pela aprovação do Plano de Trabalho para o biênio 2026-2027 e pela discussão sobre o Manejo Integrado do Fogo (MIF) e movimento Viva Água, da Fundação Grupo Boticário.
Os membros aprovaram o Plano de Trabalho, estruturado em três categorias: A) Demandas da Secretaria Executiva; B) Temas para Discussão; e C) Eventos. Para 2026 e 2027, foram definidos seis temas principais: Conservação do Solo; Disponibilidade Hídrica; Relatório Anual da Política de Mananciais PCJ; Livro Comemorativo – 10 anos da Política de Mananciais PCJ; Métodos de Conservação, Proteção e Restauração Florestal e Ecológica; e Projeto Viva Água.
O documento também contempla sete demandas da Secretaria Executiva e dois eventos: o Workshop da Política de Mananciais PCJ – Nova Deliberação 2026 e o VII Seminário de Áreas Protegidas. Os planos das 11 Câmaras Técnicas temáticas dos Comitês PCJ serão apreciados na próxima reunião da Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL), em 6 de março, e votados na plenária dos colegiados, em 31 de março.
Durante a reunião, também foram dadas as boas-vindas aos novos integrantes da Câmara Técnica, que ingressaram por meio da terceira edição do programa Jovem Vem para o PCJ: Felipe Silva (IGCE/Unesp Rio Claro), Kemily Santos (Prefeitura de Charqueada), Laura Guilherme (IGCE/Unesp Rio Claro), Letícia Pereira (Associação Ambiental Plantar), Luana Nunes (IGCE/Unesp Rio Claro), Mateus Pinto (Prefeitura de Vinhedo), Tatiana Coelho (SIMBiOSE) e Wataru Sumi (Prefeitura de Vinhedo).
Outro tema abordado foi o movimento Viva Água, da Fundação Grupo Boticário. Thiago Valente, gerente de projetos da Fundação, e Diogo Tomaszewski, gestor de comunidade da Beta-i Brasil, apresentaram detalhes sobre o movimento colaborativo, que atua no Rio Miringuava e na Baía de Guanabara. A iniciativa tem como objetivo conectar diferentes atores para promover segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas em bacias hidrográficas estratégicas, por meio da conservação da natureza e da transição para uma economia sustentável.
A implementação do movimento em dois mananciais estratégicos já beneficiou mais de 14 milhões de pessoas. Com 35 anos de atuação, a Fundação desenvolve soluções baseadas na natureza e Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), com foco em adaptação climática, segurança hídrica e resiliência costeira. Entre as ações executadas estão agricultura sustentável, turismo responsável, empreendedorismo sustentável e restauração ecológica.
Thiago Valente informou que o programa Viva Água está com inscrições abertas para novos parceiros na região do Sistema Cantareira, com R$ 2 milhões disponíveis. O prazo, que se encerraria em 13 de fevereiro, foi prorrogado até 20 de março de 2026.
Outro item debatido foi o Manejo Integrado do Fogo (MIF). Vinicius Gaburro De Zorzi, da TNC e voluntário da SIMBiOSE, apresentou um diagnóstico atualizado sobre a distribuição de incêndios florestais no estado de São Paulo. Segundo mapa apresentado, houve crescimento das ocorrências entre 1985 e 2024 nos municípios monitorados.
O especialista destacou que a diminuição do período de recarga hídrica e o aumento das estiagens agravam o cenário, pois os incêndios mais severos ocorrem em momentos de déficit hídrico. Nesse contexto, reforçou a necessidade de integrar as agendas de água e fogo.
Ao analisar a distribuição por municípios, observou-se tendência de aumento das áreas queimadas em diversas localidades. Por outro lado, muitos municípios registram redução de incêndios em vegetação nativa, cenário que o especialista atribui aos investimentos e às políticas do Comitê de Bacias em infraestrutura verde e restauração ecológica. No entanto, regiões como o entorno de Piracicaba apresentam piora, possivelmente associada à atividade agrícola e ao aumento de incêndios em canaviais, o que compromete a qualidade dos fragmentos florestais.
A condição desejada, segundo Vinicius, é avançar da lógica de combate a incêndios para a gestão integrada do fogo em todas as suas dimensões. O MIF baseia-se em três pilares — prevenção, combate e uso ecológico/econômico do fogo — sustentados por base científica sólida, especialmente na ecologia do fogo, que orienta a gestão e a análise de impactos.
O desafio, segundo ele, é expandir o MIF para além das Unidades de Conservação (UCs) e integrá-lo aos comitês de bacia, reduzindo riscos sobre áreas em restauração e garantindo a regeneração natural.
Como exemplo prático, foi apresentado o caso de Piracaia, onde está sendo implementado, de forma inédita, um Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), em parceria com a TNC e a SIMBiOSE. O plano busca reduzir o risco de ocorrência, a extensão e a severidade dos incêndios. Entre as ações já realizadas estão oficinas de construção de abafadores, treinamentos com a SIMBiOSE e o ICMBio, além da certificação de equipes da Defesa Civil em cursos promovidos no município.
Entre os objetivos do PMIF estão: reduzir a extensão e a severidade dos incêndios; diminuir o risco de ocorrência; viabilizar a restauração ecológica de áreas atingidas; e garantir a regeneração natural em áreas em processo de recuperação. “Precisamos trabalhar a gestão do fogo, e não apenas a gestão de incêndios, utilizando o Manejo Integrado do Fogo como ferramenta estratégica, com base científica sólida”, destacou Vinicius.
A 12ª Reunião da CT-Mananciais está agendada para 29 de abril, às 9h30, na Associação de Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba (AEAP).
