COMITÊS PCJ

Situação dos

recursos hídricos
nas bacias pcj

De acordo com Sergio Razera, Diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ, a região enfrenta um cenário desafiador, marcado por secas prolongadas e inundações cada vez mais intensas. A causa não está na quantidade de chuva, que se mantém estável, em torno de 1.200 mm anuais, mas na forma como ela é distribuída ao longo do ano. Atualmente, a água se concentra em tempestades intensas durante o período chuvoso, provocando enchentes, enquanto os períodos secos são caracterizados por longos intervalos sem precipitação, agravando os efeitos da estiagem. Esse desequilíbrio impacta profundamente o sistema hídrico da região.

Para enfrentar essas mudanças, é preciso combinar soluções tradicionais com abordagens baseadas na natureza. Reservatórios continuam sendo essenciais, mas sua construção é cada vez mais desafiadora, em razão das exigências de licenciamento e dos impactos socioeconômicos associados. Paralelamente, o solo atua como uma verdadeira caixa-d’água natural. Técnicas como curvas de nível e terraceamento contribuem para a retenção da água da chuva, reduzindo o escoamento superficial direto para os rios. A adoção de práticas integradas é, portanto, fundamental para lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Além dos reservatórios, é preciso implementar estratégias que favoreçam a infiltração da água no solo, de modo a mantê-la disponível por mais tempo. Essa abordagem é essencial para assegurar a resiliência hídrica e enfrentar os desafios futuros.

Com soluções que combinam engenharia e preservação ambiental, as Bacias PCJ se posicionam como um modelo de gestão integrada, destacando a importância de agir agora para garantir água para o futuro.

Formação do Rio Piracicaba, a partir da junção dos rios Atibaia e Jaguari — Americana/SP. Fonte: Acervo da Agência das Bacias PCJ, 2016.

Quantidade de água

Demanda x Disponibilidade
nas Bacias PCJ

Usos múltiplos da água. Fonte: Youtube – Canal da Agência das Bacias PCJ.

Sistema cantareira

Um dos maiores complexos de
abastecimento público

Atendendo cerca de 9 milhões de habitantes localizados nas Bacias PCJ e na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O Sistema Cantareira é formado por 6 reservatórios conectados entre si por meio de túneis subterrâneos e canais. Os quatro maiores reservatórios (Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha, localizados nas Bacias PCJ) estão localizados nas Bacias PCJ, cujas águas são direcionadas para a Bacia do Alto Tietê, abastecendo os reservatórios de Paiva Castro e Águas Claras seguindo para Estação de Tratamento de Água Guaraú (ETA Guaraú).  

Fonte: Acervo Agência das Bacias PCJ.

O Sistema Cantareira faz a transposição entre duas bacias hidrográficas, transferindo água da Bacia do Rio Piracicaba para a Bacia do Alto Tietê. A área total de drenagem do sistema atinge cerca 1.934 km2 e abrange 12 municípios, sendo quatro deles no estado de Minas Gerais (Camanducaia, Extrema, Itapeva e Sapucaí-Mirim) e oito em São Paulo (Bragança Paulista, Caieiras, Franco da Rocha, Joanópolis, Nazaré Paulista, Mairiporã, Piracaia e Vargem).

Na RMSP, a água produzida pelo Sistema Cantareira abastece principalmente os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul e parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Nas Bacias PCJ, costuma-se considerar as 19 cidades paulistas cujo abastecimento hídrico é diretamente influenciado pelas descargas de água do Sistema Cantareira. São elas: Americana, Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Bragança Paulista, Campinas, Hortolândia, Jaguariúna, Jundiaí, Itatiba, Limeira, Monte Mor, Morungaba, Nazaré Paulista, Paulínia, Pedreira, Piracaia, Piracicaba, Sumaré e Valinhos. Além disso, há dezenas de municípios que não dependem diretamente das calhas dos rios influenciadas pelo Sistema Cantareira para abastecimento e, portanto, utilizam outros mananciais. 

Fonte: Adaptado de Consórcio Profill-Rhama (2020).

Dessa forma, visando a racionalização do uso dos recursos hídricos e o atendimento ao uso múltiplo das águas, a outorga e as regras operativas do Sistema Cantareira estabelecem que sua gestão seja diretamente condicionada ao armazenamento dos reservatórios e ao período hidrológico do ano. Nesse sentido, são definidos dois períodos hidrológicos: Período Úmido – de 1º de dezembro de um ano a 31 de maio do ano seguinte, e Período Seco – de 1º de junho a 30 de novembro do mesmo ano.

Para a RMSP, o controle da captação de água do Sistema Cantareira, realizada pela SABESP, é a vazão média captada na Estação Elevatória Santa Inês, autorizada mensalmente de acordo com as faixas de volume acumulado no referido sistema. Essas faixas de operação são estabelecidas conforme o quadro ao lado.

A regulação do Sistema Cantareira compete à ANA e à SP Águas (antigo DAEE). Apesar do respectivo sistema estar localizado integralmente em território paulista, ele recebe água de uma bacia hidrográfica interestadual, com as nascentes localizadas no estado de Minas Gerais.

A ANA e a SP Águas fazem o acompanhamento por meio de dados relacionados com níveis da água, vazão e volume armazenado, além de definirem, dentro de suas atribuições legais, as normas e regras que determinam a operação do Sistema Cantareira. A operação, por sua vez, é realizada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), responsável por observar as restrições estabelecidas e comunicar os casos de necessidade de operação emergencial.

Em maio de 2017, a ANA e a SP Águas (antigo DAEE) renovaram a outorga do Sistema Cantareira à SABESP, por um período de 10 anos, conforme a Resolução Conjunta ANA/DAEE 926/2017, que segue as condições de operação estabelecidas pela Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017.

As resoluções vigentes consolidaram o importante papel dos Comitês PCJ que, por meio da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), participa dos processos de tomada de decisões de maneira participativa e tecnicamente embasadas. Isso porque foi estabelecido que a liberação das vazões para as Bacias PCJ deve ser feita conforme comunicados da SP Águas (antigo DAEE) e da CT-MH dos Comitês PCJ, nos períodos úmido e seco, respectivamente.

Gestão da Operação
do sistema cantareira

Isso também condiciona a liberação de vazões para as Bacias PCJ, em que devem ser asseguradas vazões mínimas em três postos de controle: Rio Jaguari em Buenópolis (Morungaba/SP), Rio Atibaia em Atibaia (Atibaia/SP) e Rio Atibaia Captação Valinhos (Valinhos/SP).

Fonte: Imagem adaptada de ANA.

Postos de Controle do Sistema Cantareira nas Bacias PCJ

Fonte: Adaptado de Consórcio Profill-Rhama (2020).

A seguir são apresentadas as vazões mínimas a serem asseguradas nos postos de controle, conforme o período hidrológico do ano. No período seco, nas Faixas 1, 2, 3 e 4, deve-se garantir a vazão média diária de 10 m³/s, equivalente a um volume de 158,1 hm³, para as Bacias PCJ.

Foram definidos, ainda, limites para as vazões mínimas instantâneas a serem liberadas: 0,10 m³/s para jusante do reservatório Paiva Castro (Rio Juqueri); 0,25 m³/s para jusante dos reservatórios Jaguari/Jacareí (Rio Jaguari); e 0,25 m³/s para jusante dos reservatórios Cachoeira/Atibainha (Rio Atibaia). 

Diante do exposto, é evidente que a operação do Sistema Cantareira depende de inúmeros aspectos e incertezas, o que acarreta enormes desafios para o órgão gestor operante, a SABESP, e os Comitês PCJ, haja vista que, ao mesmo tempo em que se deve assegurar vazões mínimas nos postos de controle, deve-se também reduzir as descargas, para maximizar o armazenamento dos reservatórios. 

As resoluções vigentes reforçaram o papel fundamental dos Comitês PCJ, que, por meio da CT-MH, contribuem com processos decisórios transparentes, técnicos e participativos, envolvendo usuários de recursos hídricos, governos (municipal, estadual e federal) e sociedade civil.

Disponibilidade dos

recursos hídricos
nas bacias pcj

Disponibilidade superficial

A disponibilidade hídrica superficial nas Bacias PCJ é bastante limitada, uma vez que grande parte está comprometida com o atendimento das demandas atuais e existe uma tendência de contínua diminuição da quantidade de água disponível por habitante, principalmente diante do crescimento populacional. Segundo um estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas, a ONU, a quantidade mínima necessária para uma pessoa é de 1.500 m3 de água por ano. Em 2023, a disponibilidade nas Bacias PCJ por habitante/ano foi de 927,2 m3/hab.ano.

A precipitação acumulada nesse ano foi consolidada no mapa de precipitação distribuída, apresentado a seguir.

Precipitação Pluviométrica Anual nas Bacias PCJ 2024

Fonte: Sala de Situação PCJ, 2025.

O SSD PCJ é fruto de uma parceria entre a Agência das Bacias PCJ e o Laboratório de Sistemas de Suporte a Decisões em Engenharia Ambiental e de Recursos Hídricos (LabSid), disponível publicamente em uma plataforma online interativa que contém, dentre outras funcionalidades, dados e informações em tempo real das Bacias PCJ. Essa ferramenta visa a auxiliar os Comitês PCJ, os órgãos gestores de recursos hídricos e a Agência das Bacias PCJ na produção de informações sobre as Bacias PCJ e nas complexas tomadas de decisões.

A forma como este sistema foi desenvolvido permite que diferentes produtos e dados de diversas fontes e natureza sejam integrados na interface. Assim, é possível gerar produtos dinâmicos e customizados conforme as necessidades dos usuários, facilitando a visualização de situações diversas e a consequente tomada de decisão.

Além disso, é constituído por modelos matemáticos de quantidade e qualidade das águas superficiais, que possibilita a criação e simulação de diversos cenários avaliando, em nível estratégico, o reflexo dos usos dos recursos hídricos na disponibilidade e na qualidade dos principais corpos d’água superficiais das Bacias PCJ.

Os Comitês PCJ demonstram, mais uma vez, pioneirismo na gestão dos recursos hídricos, por possuírem uma ferramenta completa que subsidia a gestão e o planejamento das Bacias PCJ, visando ao aumento da disponibilidade hídrica e ao alcance do enquadramento dos corpos d’água das Bacias PCJ.

Rede de monitoramento quantitativa

Atualmente, as Bacias PCJ contam com uma rede de monitoramento quantitativo composta por 36 estações telemétricas, que fornecem dados em tempo real sobre precipitação (mm), níveis (m), cotas (m) e vazões (m³/s) dos rios. Essa infraestrutura abrange desde o estado de Minas Gerais até as sub-bacias do Jundiaí, Capivari e Piracicaba, em São Paulo. Além das estações telemétricas, o sistema integra diversas redes operadas por instituições como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e a SP Águas (antigo DAEE), em parceria com a Agência das Bacias PCJ, resultando em um sistema com mais de 80 pontos de monitoramento hidrológico quantitativo e qualitativo online. Cabe à Agência das Bacias PCJ a contratação de empresa especializada para a manutenção e operação dos 36 postos telemétricos, enquanto a SP Águas permanece responsável pela operação da rede básica de coleta manual de dados. 

O monitoramento é ainda complementado por um radar meteorológico, que funciona 24 horas por dia e possibilita a previsão de eventos climáticos e hidrológicos críticos. Esse conjunto de ações reforça a gestão dos recursos hídricos e auxilia na tomada de decisões estratégicas. A atuação integrada da SP Águas, da Agência das Bacias PCJ e da CETESB t e m sido fundamental para consolidar a eficiência e a sustentabilidade no uso das águas das Bacias PCJ. Os dados são gerados a cada 10 minutos, sendo possível consultar a série histórica de quaisquer dados monitorados, gerar gráficos comparativos de vazão e consultar outras datas, disponíveis em plataforma exclusiva das Bacias PCJ – Sistema de Suporte a Decisão – SSD PCJ.

Rede de monitoramento quantitativa

Monitoramento hidrológico e avanços nas Bacias PCJ

O monitoramento hidrológico nas Bacias PCJ tem alcançado avanços significativos, com destaque para a expansão da rede de monitoramento da quantidade de água e a estruturação de uma rede para avaliação da qualidade dos rios. Essas iniciativas garantem, em tempo real, a coleta de dados que são integrados ao Sistema de Suporte a Decisão das Bacias PCJ (SSD PCJ), favorecendo o planejamento e as tomadas de decisões e o fortalecimento da gestão integrada dos recursos hídricos nas Bacias PCJ.

Fonte: SSD PCJ, 2025.

É possível consultar histórico de chuvas, gerar gráficos comparativos de vazão e consultar outras datas acessando o SSD PCJ e customizando camadas.
Explore e descubra mais sobre as águas perto de você!

Fonte: SSD PCJ (2025)

DAEE

Sabesp

CPFL

Igam

Sanasa

MAEGE

BRK Limeira

Hidrografia principal

Reservatórios

Bacias PCJ

Postos

Vazão (m³/s)

Confira em tempo real como está a vazão
dos rios que abastecem as Bacias PCJ!

Mais de 50 sensores estão instalados nos rios das Bacias PCJ gerando dados que são disponibilizados em tempo real por meio do SSD PCJ​.

Passe o mouse sobre cada trecho para descobrir nome, localidade e extensão de cada rio. Clique nos pontos coloridos para saber detalhes da vazão e outros dados.

A Agência das Bacias PCJ está ampliando significativamente a rede de monitoramento da qualidade da água, com a meta de dobrar o número atual de quatro estações automáticas em operação. O objetivo é atingir 20 pontos monitorados em médio prazo e, posteriormente, expandir conforme a necessidade das bacias hidrográficas. O grande desafio é viabilizar o monitoramento contínuo e totalmente on-line da qualidade das águas, de modo a subsidiar, em tempo real, a gestão integrada e a tomada de decisão com base em dados confiáveis.

Rede de monitoramento qualitativa

Índice de Qualidade da Água (IQA)

nas Bacias PCJ

O IQA nas Bacias PCJ revela um cenário preocupante, segundo a CETESB, embora haja variações ao longo do território. Em regiões de cabeceira, os resultados geralmente indicam qualidade boa ou média, no entanto, à medida que os rios atravessam áreas urbanas, há uma piora no IQA, devido aos impactos das atividades humanas e do lançamento de esgoto. Além dos desafios associados às áreas urbanizadas, a intensificação dos eventos de estiagem tem agravado ainda mais a qualidade da água. Esses períodos de seca têm ocorrido com frequência e severidade crescentes, impactando diretamente a disponibilidade hídrica e comprometendo os parâmetros monitorados. 

Os dados apresentados a seguir apontam as médias anuais das estações de monitoramento dos estados de São Paulo (CETESB) e Minas Gerais (IGAM), com ligeiras variações metodológicas entre os procedimentos de verificação pelos respectivos órgãos.

Mapa de Vazão – Pontos de Monitoramento

Este mapa apresenta os pontos de medição hidrológica das Bacias PCJ, elaborados pelo SSD-PCJ.

Mais de 50 sensores instalados nos rios registram dados a cada 15 minutos, permitindo o acompanhamento contínuo das condições hídricas da região.


Interaja com o mapa:

  • Passe o mouse sobre os trechos dos rios para visualizar nome, localidade e extensão.
  • Clique nos pontos coloridos para acessar dados atualizados de vazão (m³/s) e outras medições.

Você sabia? Uma piscina olímpica comporta cerca de 2.500 m³ de água.


Informações exibidas por ponto de monitoramento:

  • Responsável: Instituição operadora (ex.: DAEE)
  • Município: Local de instalação (ex.: Santa Bárbara d’Oeste)
  • Bacia: Unidade hidrográfica correspondente (ex.: Piracicaba)
  • Chuva acumulada: Última precipitação registrada (mm)
  • Cota referenciada: Altitude do ponto (m)
  • Leitura de régua: Nível do rio (m)
  • Vazão: Volume de água por segundo (m³/s)
  • Data e hora: Momento da última medição

Outras interações:

  • Clique sobre a área delimitada da bacia para visualizar informações gerais como nome e área total (km²).
  • Clique sobre o trecho de rio para consultar área de contribuição Área de contribuição é a porção do território que deságua em um mesmo ponto do rio. Toda a chuva que cai nessa área escorre pela superfície ou pelo subsolo até alcançar aquele ponto de monitoramento. , classe de enquadramento e extensão (km).