Precipitações históricas e atípicas ficaram entre 200% e 400% acima da média; Sistema Cantareira deixou faixa de alerta e passou a operar na faixa de atenção
06 de outubro de 2026
Os efeitos do grande volume de chuvas registrado em setembro nos mananciais das Bacias PCJ e no Sistema Cantareira foram um dos principais assuntos da 284ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), realizada por videoconferência nesta terça-feira, 6 de outubro, sob a condução do coordenador Alexandre Vilella e do coordenador-adjunto Luís Filipe Rodrigues.
O encontro também contou com a participação do secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, que aproveitou a reunião para divulgar o evento on-line “Balanço parcial do Período Seco 2026 e Perspectivas 2027 nas Bacias PCJ”, promovido pela Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL), em parceria com a Ares-PCJ, no dia 11 de novembro, das 9h às 12h, com transmissão pelo canal da Ares no YouTube. Uma das palestras será apresentada por membros da CT-MH.
Com precipitações históricas e atípicas, entre 200% e 400% acima da média, as vazões dos principais rios da região aumentaram significativamente e mantiveram níveis confortáveis. No Sistema Cantareira, o cenário também melhorou, com a saída da faixa de alerta e a entrada na faixa de atenção.
De acordo com Vilella, além dos efeitos positivos, as chuvas de setembro provocaram alguns extravasamentos e enchentes e trouxeram incertezas às previsões meteorológicas sobre a possibilidade de terem antecipado o período chuvoso ou se o padrão normal de verão será mantido.
“Num momento de tantas mudanças climáticas, acho que a maior certeza é lidar com as incertezas. Esse é um dos nossos grandes desafios aqui”, observou o coordenador da CT-MH. “Embora com alguns impactos negativos em virtude de extravasamentos e enchentes, foi um mês completamente atípico. Evidentemente, isso trouxe muitos efeitos positivos, não só para o Cantareira, mas também para os outros mananciais, que conseguem fazer sua recarga, assim como o solo. Quem é mais da área da engenharia sabe que este setembro de 2026 vai entrar para a série histórica”, completou.
Apresentações
Entre os itens fixos da pauta da CT-MH, Vilella apresentou a situação dos mananciais e do Sistema Cantareira, além das condições hidrometeorológicas, informações dos usuários e ocorrências registradas em setembro. Em 5 de outubro, o Cantareira estava com 41,2% de seu volume útil. Na mesma data de 2025, o índice era de 27,3%; em 2024, de 49,7%. A média parcial de descargas do Cantareira para as Bacias PCJ em 2026 é de 7,29 m³/s. Até 5 de outubro, o volume de água utilizado do sistema era de 79,98 hm³, equivalente a 50,6% do total de 158,1 hm³ disponíveis anualmente no período seco, que vai até 30 de novembro.
Na apresentação da Sala de Situação PCJ, Carlos Henrique de Souza trouxe dados sobre as chuvas e vazões registradas em setembro de 2026 e as perspectivas para os próximos meses. Segundo ele, eram esperadas precipitações entre 25 e 75 milímetros no mês. No entanto, os acumulados variaram entre 150 e mais de 400 mm.
Souza apontou que as 21 estações telemétricas registraram chuvas acima da média. O maior acumulado foi registrado na estação Rio Atibainha Mascate, em Nazaré Paulista, com 451 mm, e o menor, na estação Rio Corumbataí Novo Batovi, com 157,2 mm. Com isso, de acordo com o Monitor de Secas da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), houve recuo da condição de Seca Grave para Seca Moderada nas Bacias PCJ. As vazões da maior parte dos rios ficaram entre 200% e mais de 400% da média histórica.
Na apresentação sobre as previsões meteorológicas, o coordenador do GT-Previsão do Tempo, Jorge Mercanti, avaliou o desempenho da previsão hidrológica de setembro e detalhou a análise meteorológica, com destaque para frentes estacionárias e linhas de instabilidade que provocaram chuvas intensas no Paraná e em São Paulo no início do mês. Mercanti apresentou as previsões do CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) e do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), indicando chuvas para a tarde de 5 de outubro e o dia seguinte, com novas precipitações contínuas previstas para os dias 15 e 16, mantendo os níveis hidrológicos em patamares confortáveis. Ele também abordou o aquecimento global e as previsões de temperaturas acima da média histórica para os próximos meses, alertando para a possibilidade de um verão mais quente e seco.
Deliberação sobre as vazões do Cantareira
No final da reunião, os membros da CT-MH deliberaram pela redução das vazões nos reservatórios de Cachoeira e Atibainha, de 2 m³/s para 1,50 m³/s, além da manutenção da atual vazão do Jaguari-Jacareí, de 0,25 m³/s. Com isso, a vazão total para as Bacias PCJ passou a ser de 3,25 m³/s.
Próxima reunião
A 285ª Reunião Ordinária da CT-MH está agendada para 5 de novembro de 2026, a partir das 9h, na Barragem do Jaguari, em Vargem (SP).
