Com o tema “Ele passa por aqui”, encontro promovido pelos Comitês PCJ será realizado em 23 de setembro, em Jundiaí (SP), e reunirá diferentes setores para discutir os avanços e desafios na gestão do manancial
A história, a importância e os desafios para a melhoria contínua da qualidade das águas do Rio Jundiaí estarão em debate no dia 23 de setembro, durante o 7º “Conversando sobre o Rio Jundiaí”, promovido pela Câmara Técnica de Outorgas e Licenças (CT-OL) dos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Comitês PCJ) e pelo seu Grupo de Trabalho de Enquadramento dos Corpos d’Água (GT-Enquadramento). Com o tema “Ele passa por aqui”, o encontro será realizado entre 9h e 13h, no auditório “Planeta Água”, da DAE Jundiaí, em Jundiaí (SP).
Realizado anualmente desde 2020, o “Conversando sobre o Rio Jundiaí” busca aproximar a comunidade das discussões sobre o manancial e promover reflexões sobre a relação entre a vida urbana e os ecossistemas locais. Para a coordenadora da CT-OL, Cláudia Debroi de Campos, a iniciativa também permite acompanhar a trajetória de transformações do rio e pensar em ações para o futuro.
“Realizamos o debate sobre o Rio Jundiaí desde 2020, buscando entender a história do rio e a trajetória das transformações, interpretar os relatórios de acompanhamento para compreender em que ponto estamos e sonhar um futuro possível, por meio de ações no presente, entendendo-o como um ser de direito. A CT-OL assume o papel de guardiã e facilitadora de diálogos, funcionando como agente de proteção a fim de promover a resiliência ambiental para as próximas gerações”, destaca Cláudia.
O tema desta edição chama atenção justamente para a presença do Rio Jundiaí no cotidiano de diferentes municípios. O rio nasce na Serra da Pedra Vermelha, em Mairiporã, passa por Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí e Itupeva, segue até Indaiatuba e deságua em Salto. Para a coordenadora-adjunta da CT-OL, Cecília de Barros Aranha, “Ele passa por aqui” representa uma identidade regional construída a partir da relação histórica entre o rio e os municípios de sua bacia.
“A identidade regional está relacionada com o próprio nome do rio, que vem do Tupi e significa ‘Rio dos Jundiás’ ou ‘Rio dos Bagres’. O marco zero da ocupação territorial foi sendo adaptado pelas primeiras rotas dos indígenas, depois pela entrada dos viajantes e pelas fundações das cidades que cresceram às suas margens”, explica Cecília.
Segundo ela, compreender essa trajetória é também fortalecer o sentimento de pertencimento da população em relação ao manancial. “O Rio Jundiaí não deve mais ser visto como canal de escoamento, mas como patrimônio natural. Compreender o território significa entender que o crescimento econômico e urbano sustentável depende diretamente da preservação das nascentes, das matas ciliares e da qualidade da água”, completa.
O enquadramento dos corpos d’água, tema diretamente relacionado ao trabalho do GT-Enquadramento, é um dos instrumentos de planejamento da Política Nacional de Recursos Hídricos e estabelece metas de qualidade que devem ser alcançadas ou mantidas ao longo do tempo. Historicamente, o Rio Jundiaí foi o primeiro curso d’água do país a ser totalmente reenquadrado, passando da Classe 4 para a Classe 3.
Para a coordenadora do GT-Enquadramento, Nilcéia Franchi, a trajetória do reenquadramento demonstra a importância da atuação integrada entre os diferentes setores da sociedade. Ela destaca a liderança dos Comitês PCJ na consolidação de um pacto entre atores sociais, econômicos e municipais, que possibilitou a execução de ações voltadas à melhoria progressiva da qualidade das águas.
“Esse processo histórico mostra que o planejamento regional, principalmente em saneamento básico, é factível e eficaz. Hoje, a qualidade das águas do Rio Jundiaí permite captação para abastecimento público após tratamento convencional e um dos usos mais importantes da água, que é a manutenção da flora e da fauna das bacias, está sendo alcançado com o retorno de peixes ao Jundiaí”, afirma Nilcéia.
Apesar dos avanços, a bacia ainda enfrenta desafios relacionados ao uso e à ocupação do território. Entre eles estão a ocupação humana irregular em áreas de preservação permanente (APPs), a impermeabilização do solo nas áreas urbanas, a expansão de condomínios residenciais e comerciais e a inadequação dos sistemas de drenagem. Essas pressões podem gerar impactos nos indicadores de saneamento básico e na qualidade dos recursos hídricos.
Nilcéia aponta que o enfrentamento desses desafios passa pela adoção de sistemas mais sustentáveis de ocupação humana, pela regularização habitacional e conservação de APPs, por soluções alternativas de saneamento nas áreas periurbanas e rurais, pela melhoria dos sistemas de drenagem e pelo aumento da eficiência dos sistemas de tratamento de efluentes.
A integração do Rio Jundiaí à paisagem urbana também é apontada como um caminho para aproximar a população do manancial. Soluções baseadas na natureza, como a restauração de matas ciliares e a implantação de parques lineares, além de infraestruturas verdes, como jardins de chuva, praças multifuncionais e telhados verdes, podem contribuir para essa aproximação e para a conscientização sobre a relação entre o uso cotidiano da água e a conservação dos recursos hídricos.
“No cenário presente de mudanças climáticas, é fundamental garantir a segurança hídrica na bacia do Rio Jundiaí, ou seja, garantir disponibilidade e qualidade da água necessárias para o desenvolvimento socioeconômico regional e a conservação do ecossistema da bacia”, ressalta Nilcéia.
Programação
Durante o encontro, serão abordados temas relacionados à história da ocupação territorial e do uso do solo na calha do Rio Jundiaí, às ações de efetivação do reenquadramento, aos resultados dos monitoramentos recentes e aos próximos passos para a gestão do recurso hídrico.
O evento é gratuito e voltado a estudantes, pesquisadores, educadores, profissionais de saneamento, gestores públicos, lideranças políticas e comunitárias e demais interessados no tema. As vagas são limitadas e é necessário realizar inscrição antecipadamente pelo link: https://bit.ly/Inscricao_CT-OL2026.
SERVIÇO
7º Conversando sobre o Rio Jundiaí – “Ele passa por aqui”
Data: 23 de setembro de 2026 (quarta-feira)
Horário: Das 9h às 13h
Local: Auditório “Planeta Água” – DAE Jundiaí
Endereço: Avenida Alexandre Ludke, nº 1.500, Vila Bandeirantes, Jundiaí (SP)
Inscrições: https://bit.ly/Inscricao_CT-OL2026
Realização: Câmara Técnica de Outorgas e Licenças (CT-OL) dos Comitês PCJ
Apoio: Agência das Bacias PCJ
Dúvidas: ctol@comites.baciaspcj.org.br
Informações para a imprensa: comunicapcj@agencia.baciaspcj.org.br
Programação:
8h30 – Credenciamento
9h00 – Abertura e Boas-Vindas
9h30 às 11h30 – Bloco 1: Apresentações técnicas
Ocupação histórica do território de Jundiaí a partir do Rio Jundiaí: Alexandre Augusto de Oliveira (Mestre, educador e historiador)
Uso e ocupação do território da calha do Rio Jundiaí: Claudio da Cunha (Professor e mestre da Fatec Anchieta)
Relatório Técnico e Acompanhamento do atendimento às metas de atualização do
enquadramento em trechos do Rio Jundiaí”: Domenico Tremaroli Filho (Biólogo e Gerente da Cetesb Jundiaí)
Projeto Caminhos do Vale do Rio Jundiaí: Lilian Henglang(Consultora da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Estado de São Paulo)
11h30-11h45 – Intervalo
11h45-13h Bloco 2: Roda de Conversa
Mediação: Sandra Yukari Shirata Lanças (presidente do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil – regional Sorocaba)
13h – Encerramento

