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CT-MH atualiza dados sobre situação hídrica das Bacias PCJ e do Sistema Cantareira

283ª reunião ordinária também abordou os desafios do saneamento e da gestão dos recursos hídricos diante do período de estiagem e das mudanças climáticas

3 de setembro de 2026

Conduzida pelo coordenador Alexandre Vilella, a 283ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), realizada no dia 3 de setembro, na DAE Jundiaí, atualizou os membros sobre a situação dos mananciais das Bacias PCJ no mês de agosto e do Sistema Cantareira, que continua operando na faixa de alerta em setembro. 

Vilella chamou a atenção para o período de estiagem, que acende um alerta para o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento das Bacias PCJ. O sistema atende mais de 2 milhões de pessoas e está operando com cerca de 33% de seu volume útil, índice semelhante ao registrado no ano passado. Diante desse cenário, aumenta a dependência das chuvas previstas para o próximo verão. 

De acordo com o coordenador, as Bacias PCJ têm adotado medidas para utilizar o mínimo possível de água e manter as condições de abastecimento dos quase 20 municípios que dependem do Cantareira. Ao mesmo tempo, é necessário considerar a situação dos mais de 50 municípios que não são abastecidos diretamente pelo sistema e que podem enfrentar impactos ainda maiores durante os períodos de estiagem, por dependerem de pequenos córregos, águas subterrâneas e reservatórios. 

“Então, hoje, fizemos um balanço da situação. Alguns municípios relataram dificuldades, principalmente relacionadas à qualidade da água. Com a escassez de chuva, a qualidade também se degrada bastante, o que acaba trazendo várias consequências. E, claro, o olhar foi um pouco para o El Niño e para as perspectivas de chuva, que tendem a ficar dentro da normalidade, o que é uma boa notícia. Nas próximas reuniões, vamos conseguir entender um pouco melhor o que esperar para o próximo trimestre e para o verão, para termos um cenário mais claro para 2027”, esclareceu Vilella. 

Dados hidrológicos 

Carlos de Souza, assistente técnico da Sala de Situação da SP Águas, apresentou os dados de precipitação nas Bacias PCJ. Segundo os registros, os índices de chuva foram superiores aos do mesmo período do ano passado, principalmente na região de Nazaré Paulista. 

Também foram apresentados dados de vazão dos rios Piracicaba, Capivari, Atibaia e Jundiaí, além de informações sobre o Sistema Cantareira, incluindo os volumes afluente e defluente. A reunião também abordou o Relatório Integrado Arsesp/SP Águas, boletim elaborado principalmente para a Região Metropolitana de São Paulo, mas que também reúne informações sobre o Sistema Cantareira e sua relação com as Bacias PCJ. 

De acordo com Carlos, a Sala de Situação é fundamental para o acompanhamento das vazões dos rios e para verificar se os volumes registrados estão atingindo os mínimos estabelecidos pela legislação. O monitoramento também contribui para a gestão e o acompanhamento dos volumes destinados aos rios Atibaia e Cachoeira e ao Sistema Cantareira. 

Desafios do saneamento e da gestão territorial 

Nádia Zacharczuk, diretora de Mananciais da DAE Jundiaí, participou da reunião como anfitriã e apresentou os avanços e desafios enfrentados pelo município na área de saneamento. Entre os destaques, estão os índices alcançados pela empresa, que permitiram atingir a universalização do saneamento, além da redução progressiva dos índices de perdas. 

Nádia também apresentou os novos desafios, como a manutenção da universalização do saneamento e a gestão das ocupações em áreas rurais e irregulares. “Outro desafio que é constante é que, felizmente, a DAE tem a oportunidade de, por lei, ser gestora do território da Bacia junto à municipalidade. É na gestão da Bacia que conseguimos melhorar os índices de qualidade da água, principalmente com a oportunidade de trabalhar as questões de drenagem, resíduos sólidos, poluição difusa e ocupação. É um desafio, mas também é uma oportunidade”, afirmou. 

Outro ponto destacado foi a necessidade de preparação para eventos extremos associados ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Segundo Nádia, situações como falta de energia, deslizamentos, enchentes e períodos de calor extremo representam desafios para as empresas de saneamento e reforçam a importância da integração entre os serviços de saneamento e o poder público municipal na gestão urbanística e ambiental do território. 

“A gente precisa trabalhar o desenvolvimento urbano totalmente interligado com a disponibilidade hídrica. A cidade não pode crescer enquanto a disponibilidade hídrica não aumenta. Então, essas duas coisas têm que andar juntas. O desenvolvimento urbano tem que ser em função da disponibilidade hídrica, e não a disponibilidade hídrica, a demanda hídrica, ter que correr atrás do quanto a cidade está crescendo. Isso tem que acontecer em sintonia”, afirmou. 

Previsão meteorológica

Também durante a reunião, o coordenador do GT-Previsão do Tempo, Jorge Mercanti, apresentou as previsões meteorológicas para as Bacias PCJ e os próximos períodos.

A próxima reunião da CT-MH será realizada no dia 6 de outubro, às 9h, por videoconferência.

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