Reunião abordou a situação do Sistema Cantareira, o monitoramento das chuvas e vazões, a qualidade da água e as perspectivas hidrológicas para os próximos meses
5 de agosto de 2026
Na manhã do dia 5 de agosto, a Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ realizou sua 282ª Reunião Ordinária por videoconferência. O encontro teve como foco temas estratégicos para a gestão dos recursos hídricos, como a situação dos mananciais e do Sistema Cantareira, as ocorrências registradas em julho, a apresentação da Sala de Situação PCJ, os dados de chuvas e vazões referentes a julho de 2026 e as perspectivas para os próximos meses. A reunião foi conduzida pelo 2º coordenador-adjunto da CT-MH, Luis Filipe Rodrigues, com o apoio do 1º coordenador-adjunto, Paulo Tinel.
Foi informado que o Sistema Cantareira continua operando na faixa de alerta em agosto, registrando 36,7% de volume útil em 31 de julho, uma redução em relação aos 39,9% observados em 30 de junho. A Sabesp mantém autorização para retirar até 27 m³/s do sistema, conforme a Resolução Conjunta nº 925, de 2017.
Em relação às ocorrências de qualidade da água, foi relatado que a BRK Sumaré comunicou, em 13 de julho, a detecção de odor fenólico e variações na concentração de nitrogênio amoniacal na captação de Paulínia, registradas nos dias 12 e 13 de julho. Também foi informado que não houve necessidade de interromper a produção de água na Estação de Tratamento de Água (ETA) 2.
Na sequência, Carlos Henrique de Souza, da SP Águas, apresentou os dados pluviométricos e fluviométricos de julho. Das 24 estações analisadas, 13 registraram precipitação acima da média histórica e 11 apresentaram índices inferiores à média. O destaque foi o rio Corumbataí, em Piracicaba, que registrou acumulado de 43 mm.
Também foram detalhados os desvios das vazões médias em relação à série histórica nas bacias monitoradas. O rio Jaguari, em Jaguariúna, apresentou vazão 13,2% abaixo da média, enquanto o rio Atibaia, em Atibaia, registrou vazão 38,1% acima da média histórica. Além disso, foi demonstrado que o volume utilizado pelo Sistema Cantareira em 2026 foi de 24,22 hm³, representando aumento em relação ao mesmo período de 2025.
Durante a reunião, também foi apresentado o boletim do Comitê de Integração das Agências, com a comparação entre as curvas de contingência e os dados observados. O Sistema Cantareira atingiu 36,69% de volume útil, índice superior aos 34% previstos pela curva de contingência. As médias móveis de vazão mostraram estabilidade na captação ao final do mês, mantendo-se em 25,4 m³/s.
Jorge Antonio Mercanti apresentou o desempenho das previsões hidrológicas de julho, destacando a eficiência dos modelos em diferentes postos de monitoramento. Também foi abordado o Intervalo de Predição (IP) dos modelos. Na ocasião, a pesquisadora de hidrologia, Danieli Mara Ferreira, explicou que o aparente paradoxo de Valinhos apresentar melhores indicadores de IP se deve à natureza mais rigorosa do intervalo historicamente construído para aquela bacia, que possui menores erros de calibração.
Na análise das condições meteorológicas, foi informado que a sucessão de eventos recentes permaneceu concentrada na região sul do país, com a última frente fria provocando impactos marítimos no litoral.
Jorge Mercanti e Jusevicius também analisaram a ausência de chuvas no estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais, atribuída à estabilidade atmosférica e à permanência de frentes frias sobre o Rio Grande do Sul. Durante a reunião, foi discutida a formação de um ciclone bomba no Rio Grande do Sul, acompanhado de ventos intensos, que deveria se deslocar rapidamente para o oceano. Conforme a avaliação apresentada, os impactos mais severos do fenômeno permanecem restritos ao extremo sul do Brasil, com efeitos secundários limitados nas regiões vizinhas.
Na análise das imagens de satélite e radar, Mercanti destacou a nebulosidade sobre o Paraná, favorecendo a ocorrência de chuvas naquela região, em contraste com a ausência de precipitações no estado de São Paulo. Jusevicius observou que as formações de nebulosidade vêm apresentando comportamentos distintos entre as regiões Sul e Sudeste, reforçando o cenário de distribuição desigual das chuvas.
Ao final do encontro, foi informado que a 283ª Reunião Ordinária da CT-MH está agendada para o dia 3 de setembro, às 9h30, de forma presencial, em local ainda a ser definido.
