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Novo modelo de monitoramento hídrico do Estado é destaque na 281ª Reunião da CT-MH

Apresentação da SP Águas integrou pauta que também abordou a situação dos mananciais, previsões meteorológicas e a definição das vazões do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ

2 de julho de 2026

A atualização da metodologia de monitoramento da segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) adotada pelo Governo do Estado foi um dos principais destaques da 281ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, realizada no dia 2 de julho, por videoconferência. O encontro, conduzido pelo coordenador Alexandre Vilella, também contou com a avaliação das condições hidrológicas nas Bacias PCJ, a apresentação das perspectivas meteorológicas para os próximos meses e a deliberação sobre as vazões a serem descarregadas do Sistema Cantareira.

A apresentação sobre a “Metodologia de acompanhamento e tomada de decisão sobre a situação hídrica do Sistema Integrado Metropolitano” foi conduzida pelo superintendente de Segurança Hídrica da SP Águas, André Navarro, que também é secretário-executivo adjunto dos Comitês PCJ. Durante a exposição, foram detalhados os aperfeiçoamentos implementados pelo Governo do Estado na metodologia utilizada para acompanhar a situação dos mananciais paulistas, com o objetivo de fortalecer a prevenção de eventos críticos relacionados à disponibilidade de água.

A nova metodologia amplia a base de dados hidrológicos para os últimos 15 anos, incorpora o monitoramento simultâneo do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e do Sistema Cantareira — que passa a contar com uma curva específica — e altera a forma de definição da faixa de monitoramento, que passa a ser anunciada mensalmente pelo Comitê de Integração das Agências em nota técnica. O novo modelo também considera diferentes cenários climáticos, incluindo os efeitos de fenômenos como El Niño e La Niña e das mudanças climáticas, ampliando a capacidade de antecipação de situações de escassez hídrica.

A nova metodologia estabelece uma meta de 53% de armazenamento no sistema integrado até o final de abril de 2027. Além disso, foram integradas premissas de vazões para o PCJ, incluindo descargas de 5 m³/s no período úmido e 10 m³/s no período seco, mantendo-se a meta de transposição de 8,5 m³/s para o Cantareira.

Segundo a SP Águas, as mudanças tornam o monitoramento mais preciso e fortalecem a tomada de decisões pelos órgãos gestores, permitindo a adoção antecipada de medidas para garantir a segurança hídrica do Estado. O novo modelo é resultado de um trabalho integrado entre a Arsesp e a SP Águas no âmbito do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica. “A ideia é que a gente consiga, pelo menos a cada semestre, avaliar o final do período seco, o final do período úmido, e pensar em aprimoramentos que possam ser sugeridos pelos entes do sistema, tentando de fato ter um mecanismo de acompanhamento bem justo para estabelecimento das medidas de contingência em momentos de escassez, como o que enfrentamos”, concluiu Navarro.

A importância do aperfeiçoamento das ferramentas de monitoramento e do planejamento de longo prazo para a segurança hídrica foi destacada pelo coordenador da CT-MH e pelo diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ, Sergio Razera.  “Um dos principais legados das crises hídricas foi a adoção do conceito de faixas de monitoramento. Deixamos de trabalhar apenas com a lógica de ‘crise’ ou ‘não crise’ e passamos a contar com um sistema que oferece mais previsibilidade para a sociedade, os operadores e os usuários. Esse modelo, utilizado pela ANA e agora também pela SP Águas, permite compreender de forma mais clara a degradação ou a recuperação das condições hídricas, facilitando a tomada de decisões”, afirmou Vilella.

“Nosso grande desafio, e das regiões metropolitanas, é encontrar novas fontes de água. A recuperação de mananciais e as soluções baseadas na natureza são fundamentais e precisam continuar sendo implantadas, mas produzem resultados no longo prazo. Temos que pensar em alternativas para ampliar a disponibilidade de água. Caso contrário, a conta não vai fechar”, ressaltou Razera.

Mais informações podem ser obtidas nos sites da SP Águas e da Arsesp. A página sobre a Situação Hídrica do Sistema Integrado Metropolitano pode ser acessada neste link.

Situação dos mananciais

Além da apresentação técnica, a CT-MH deu continuidade ao acompanhamento periódico das condições hidrológicas das Bacias PCJ e do Sistema Cantareira, atividade que integra a rotina da Câmara Técnica. Em 2 de julho, o Sistema Cantareira registrava 39,7% do volume útil, contra 47% na mesma data de 2025 e 66,1% em 2024. Neste mês, o manancial passou a operar na Faixa de Alerta. Outra novidade é a nova captação suplementar temporária da Bacia da Paraíba do Sul.

Também foi apresentada uma ocorrência registrada no dia 24 de junho, pela BRK Ambiental, de Sumaré (SP), que informou que a captação de água bruta no Rio Atibaia, em Paulínia (SP), teve que ser interrompida em razão da variação brusca e do elevado valor do nitrogênio amoniacal. Em 24 de junho, as concentrações tiveram pico de 6,12 mg/L. No dia 13, também houve problema semelhante, com pico de 3,84 mg/L, mas a produção de água na ETA II não precisou parar.

SSPCJ e GT-Previsão do Tempo

No encontro, houve ainda a apresentação feita por Cátia Casagrande, da SP Águas, sobre os dados da Sala de Situação PCJ, com o balanço das chuvas e vazões observadas no mês de junho e as perspectivas hidrológicas para os próximos meses. O destaque foi para o grande volume de chuvas no período, que variou entre 50 mm e 200 mm, bem acima do volume de junho de 2025, cujos acumulados ficaram entre 0 e 75mm. As 23 estações telemétricas registraram chuva acima da média. O maior acumulado do mês foi na estação Rio Atibainha/Mascate, em Nazaré Paulista, com 188 mm.

Outro item da pauta foi a apresentação do coordenador do Grupo de Trabalho de Previsão do Tempo (GT-Previsão do Tempo), Jorge Mercanti, com o apoio de Marco Josevicius e Danieli Mara Ferreira, da Simepar, que trouxeram as projeções meteorológicas para as Bacias PCJ e contribuíram para subsidiar as análises da Câmara Técnica sobre o cenário hidrológico.

Descargas do Cantareira

Encerrando a pauta, os integrantes da CT-MH deliberaram sobre as vazões a serem descarregadas do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ, em atendimento às Resoluções Conjuntas ANA/DAEE nº 925 e nº 926, de 2017. Os membros decidiram manter a atual vazão de 10,25 m³/s, sendo 5,50 m³/s no Reservatório Cachoeira; 4,50 m³/s no Atibainha; e 0,25 m³/s no Jaguari/Jacareí. Decorridos 16% do Período Seco de 2026 – iniciado em 1º de junho -, o volume de água do Cantareira utilizado pelas Bacias PCJ foi de 22,23 bilhões de litros, o que representa 14% da garantia da outorga, de 158,1 bilhões de litros.

Próxima reunião

A 282ª Reunião Ordinária da CT-MH está agendada para o dia 4 de agosto de 2026, a partir das 9h, por videoconferência.

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