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CT-SA aprofunda debate sobre eficiência no tratamento de esgoto

Reunião em Limeira contou com apresentação do engenheiro químico Sérgio Ribeiro, especialista no assunto

11 de junho de 2026

A evolução dos sistemas de tratamento de esgoto ao longo do tempo e o funcionamento e resultados dos sistemas de membranas neste setor foi o assunto de destaque da 134ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Saneamento (CT-SA), realizada nesta quinta-feira, dia 11 de junho, na Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (FT-Unicamp), em Limeira (SP). O tema foi apresentado pelo engenheiro químico Sérgio Ribeiro, diretor comercial da empresa Haskoning.

O encontro foi conduzido pelo coordenador da CT-SA, Mateus Arantes, e pela coordenadora-adjunta, Patrícia Calegari. A abertura foi realizada pela anfitriã, a professora da FT-Unicamp e ex-coordenadora da CT-SA (2015 a 2019), Maria Aparecida Carvalho de Medeiros, que falou sobre os cursos oferecidos pela instituição, principalmente na área ambiental.

Arantes ressaltou a importância do encontro presencial e do tema escolhido para ser debatido entre os membros. “A vantagem de ter as reuniões presenciais das câmaras técnicas é o contato e a interação entre as pessoas. Então, aproveitamos essa oportunidade na Câmara Técnica para trazer apresentações de temas que façam sentido para o Comitê de Bacias. Hoje, trouxemos o Sérgio Ribeiro, que representa uma empresa que atua com uma tecnologia de saneamento muito avançada, utilizada mundo afora. Conseguimos trazê-lo para apresentar não apenas a tecnologia da empresa, mas também diversas tecnologias e suas aplicações nas diferentes realidades dos nossos municípios. Temos 76 municípios nas Bacias PCJ e 76 realidades distintas. Para muitos, a aplicação de uma tecnologia como o Nereda é inviável, mas, para outros, é algo que já está acontecendo”, comentou.

O coordenador da CT-SA reforçou que a apresentação de Sérgio Ribeiro enriqueceu essa condição. “Em muitos municípios, o trabalho com lagoas de aeração e polimento final traz resultados eficientes. Para outros, a aplicação de reatores UASB com aeração complementar pode proporcionar a eficiência esperada. Os Comitês PCJ hoje estão em um estágio em que não basta apenas implantar uma ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), mas implantar uma ETE mais eficiente. Nossos rios precisam de sistemas de tratamento cada vez mais eficientes para que possamos garantir água e qualidade ambiental. Esse foi o objetivo desta reunião”, afirmou.

Em sua palestra, Ribeiro, que possui mais de 25 anos de atuação no mercado de membranas poliméricas, mostrou a evolução das tecnologias de tratamento de esgoto desde 1900, quando o serviço foi fundado, até os dias de hoje. Ele também explanou sobre o uso de membranas, que teve início a partir da década de 1990, além de apresentar comparações entre a tecnologia de ultrafiltração e a convencional, destacando as ETEs modernas como “fábrica de biorecursos” ou “biorefinarias”, em que produtos do tratamento como água de reuso, biopolímero, estruvita, gás biometano, entre vários outros, podem gerar receitas.

O palestrante ressaltou que o maior desafio será atender os parâmetros exigidos por lei. “No meu entender, o maior desafio daqui para frente é atender parâmetros cada vez mais restritivos em termos de lançamento de esgoto para os corpos receptores. E, além disso, há demanda por água de reúso em função da indisponibilidade, muitas vezes, em centros urbanos de corpos d’água para o abastecimento da população”, afirmou.

Ribeiro enfatizou que entre os municípios das Bacias PCJ, o desafio principal em relação aos parâmetros exigidos é quanto à remoção de fósforo. “Muitas plantas não têm, inclusive, nem área para poder fazer a expansão. E a opção é a remoção química, ou físico-química, do fósforo. Isso vai fazer com que a questão de resíduos sólidos aumente numa quantidade absurda e que não exista, inclusive, aterros suficientes para atender esse lodo todo que vai se gerar. Então, tem que realmente buscar tecnologias avançadas para poder atender as restrições que existem em cada uma dessas ETEs”, concluiu.

Edital Fehidro 2026/2027

Na reunião, a analista técnica da Coordenação de Projetos da Agência das Bacias PCJ, Livia Módolo, também fez uma apresentação sobre o processo de análise dos empreendimentos inscritos neste ano no Edital do Fehidro (Fundo Estadual dos Recursos Hídricos), em andamento no Grupo de Trabalho (GT) Análise de Empreendimentos da CT-SA.

No primeiro semestre de 2026, o GT realizou três reuniões com analistas da Agência PCJ. O objetivo do grupo é apoiar a análise técnica dos empreendimentos inscritos no processo de seleção para obtenção dos recursos dos Comitês PCJ, provenientes da Cobrança PCJ Paulista, contribuindo para a melhoria da qualidade dos projetos apresentados.

Para que o empreendimento seja indicado pelos colegiados, o tomador deve atender a todas as regras da deliberação, obter a adequação técnica e financeira da proposta e realizar o cadastro no Sinfehidro (Sistema de Informações Gerenciais do Fehidro), antes da reunião da CT-PL, que ocorre em agosto. A votação ocorrerá no final do mesmo mês, durante a Plenária dos Comitês PCJ. Os tomadores que ainda não estiverem aptos poderão permanecer no processo para futuras indicações em 2027.

Próxima reunião

A 135ª Reunião Ordinária da CT-SA está agendada para o dia 13 de agosto. Ainda será definido pela Secretaria Executiva e pela coordenação da câmara técnica se o encontro ocorrerá por videoconferência ou presencialmente na DAE Jundiaí.  

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