Encontro reuniu especialistas da USP e aprovou novo representante da CATI na Câmara Técnica
20 de março de 2026
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sediou, em 20 de março de 2026, a 120ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Integração e Difusão de Pesquisas e Tecnologias (CT-ID). Na ocasião, foram apresentadas três pesquisas relacionadas às Bacias PCJ, sendo duas em formato on-line e uma presencial.
A primeira apresentação foi realizada de forma on-line pela engenheira MSc. Sandra Uemura, da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH-USP), que abordou o Sistema de Monitoramento Hidrológico do Estado de São Paulo e das Bacias PCJ.
A pesquisadora explicou o funcionamento do Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo (SAISP), responsável por monitorar principalmente a Região Metropolitana. Segundo ela, a primeira estação de monitoramento hidrológico do estado foi instalada no centro da capital por volta de 1880.
Sandra relembrou ainda um episódio marcante ocorrido em 1976, quando fortes chuvas fizeram o nível do reservatório de Guarapiranga subir a poucos centímetros do extravasamento. O evento impulsionou a implantação de estações com transmissão de dados em tempo real. No ano seguinte, teve início a instalação das primeiras 15 estações telemétricas no município de São Paulo.
Atualmente, o estado conta com cerca de 450 pontos de monitoramento. A pesquisadora também destacou a criação das salas de situação em 2010, incluindo a das Bacias PCJ, e explicou o funcionamento das estações e dos sistemas de alerta operados pela FCTH. Como referência para aprofundamento no tema, indicou o portal do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE).
A segunda apresentação, também on-line, foi ministrada pela engenheira Letícia Dietrich, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que apresentou o estudo intitulado “Bacia PCJ sob impacto de poluentes emergentes: um estudo da persistência ambiental de contaminantes selecionados”.
A pesquisa investiga a presença e o comportamento de contaminantes emergentes em corpos d’água, com foco em duas frentes: o desenvolvimento de processos para tratamento de efluentes industriais e a compreensão das rotas de degradação desses compostos no ambiente aquático.
O estudo busca responder como os contaminantes reagem em águas superficiais, quais são seus tempos de meia-vida, quais subprodutos são formados durante a degradação e qual é a ecotoxicidade tanto dos compostos originais quanto de seus derivados.
Entre os contaminantes avaliados estão bisfenol A, p-bromofluorbenzeno, 2-fluorbifenil, ácido dicloroacético e DBMC. As análises incluem amostras coletadas nos rios Piracicaba, Anhumas e Capivari. Os resultados indicam exposição contínua das Bacias PCJ a esses compostos, além de limitações nos modelos atuais de cálculo de persistência, que consideram principalmente rotas fotoquímicas. Segundo a pesquisadora, o objetivo é incorporar também processos de biodegradação aos modelos matemáticos em desenvolvimento.
A terceira apresentação foi ministrada presencialmente pelo professor doutor Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). O tema abordado foi o Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas.
O pesquisador apresentou iniciativas científicas voltadas à gestão dos recursos hídricos, tanto sob a perspectiva da escassez quanto dos eventos extremos. As pesquisas concentram-se em três áreas consideradas críticas: ambientes urbanos, áreas agrícolas e regiões de cabeceira de mananciais.
Nas cidades, os estudos analisam fenômenos como ilhas de calor urbano, enchentes e enxurradas, além do potencial das soluções baseadas na natureza e da infraestrutura verde para reduzir picos de alagamento, melhorar o microclima e ampliar o conforto térmico da população. Um dos estudos de caso citados foi realizado na bacia do rio Aricanduva, na capital paulista.
No meio rural, as pesquisas investigam a previsibilidade da umidade do solo e os impactos da irrigação intensiva, que pode levar à superexploração de águas superficiais e subterrâneas, especialmente em anos com precipitação abaixo da média.
Já nas regiões de cabeceira, os estudos buscam compreender a funcionalidade hídrica das nascentes, avaliando fatores que condicionam sua oferta de água. Diferentemente dos rios e córregos, cuja vazão está fortemente relacionada à área de contribuição, as nascentes apresentam maior influência do substrato geológico, o que torna sua modelagem hidrológica mais complexa.
Segundo Rocha, o estudo é inédito na América Latina e reúne quase sete anos de medições, evidenciando grande diversidade no comportamento das nascentes, com vazões que variam desde valores muito baixos até superiores a um litro por segundo, além de diferentes padrões sazonais.
Durante a reunião, também foi aprovada a indicação de um novo representante da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Diego Barrozo assume como membro titular, tendo Heitor Luiz Heiderich Roza como suplente.
A 121ª Reunião Ordinária da CT-ID está agendada para o dia 15 de maio de 2026, às 9h, em formato on-line.
























