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Reunião da CT-MH analisa situação hidrológica e perspectivas para a estiagem de 2026

Encontro da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, em Indaiatuba (SP), avaliou os efeitos das chuvas recentes, a recuperação do Sistema Cantareira e os cenários para a gestão hídrica nos próximos meses

A avaliação dos cenários hidrológicos atuais, marcada por vazões elevadas nos rios das Bacias PCJ e pela recuperação do Sistema Cantareira, pautou a 176ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês PCJ, realizada na quinta-feira, 5 de fevereiro, no Museu da Água de Indaiatuba. A abertura foi feita pela engenheira Danielle Nery, do SAAE do município.  O encontro analisou os impactos das chuvas recentes, as ocorrências registradas no último mês e as perspectivas para o período de estiagem que se inicia a partir de abril.

“Nas reuniões da CT-MH, rotineiramente a gente faz uma avaliação dos cenários, as ocorrências do último mês, e naturalmente, em virtude das chuvas das últimas semanas, as calhas dos rios estão em vazões bastante superiores, inclusive em alguns municípios com problemas de inundação, extravasamento.  O Sistema Cantareira, se compararmos a última reunião de janeiro até agora, teve uma elevação de cerca de 5%, não apenas em função das chuvas, mas também da gestão eficiente das descargas para o PCJ. Naturalmente a Sabesp também que tem retirado menos do que é autorizado para a região metropolitana de São Paulo”, comentou o coordenador da CT-MH, Alexandre Vilella.

Ele ressaltou que a câmara acompanha atentamente as perspectivas para os próximos meses e para a estiagem, que efetivamente começa em abril. “A CT-MH fez essa avaliação considerando o andamento da estiagem e aguarda as previsões de chuva para os próximos meses, especialmente diante da expectativa de precipitações dentro da normalidade, o que é uma boa notícia. Isso permitirá avaliar que tipo de comportamento será necessário a partir de abril, quando a estiagem se inicia, e, com mais intensidade, a partir de junho, período em que os Comitês PCJ assumem o protagonismo na gestão das descargas do Sistema Cantareira para a nossa região”, destacou Vilella.

Apresentações

Na reunião, como já é praxe, foram realizadas diversas apresentações. Vilella expôs a situação dos mananciais, do Sistema Cantareira, informações sobre usuários e condições hidrometeorológicas, além de abrir a palavra para que os membros relatassem as ocorrências registradas durante o mês de janeiro de 2026. No dia 4 de fevereiro, o Sistema Cantareira operava com 24% de sua capacidade, na faixa de restrição. Na mesma data de 2025, o índice era de 54,7% e, em 2024, de 74%.

Entre as ocorrências apresentadas, destacou-se a da BRK Sumaré, que precisou paralisar a captação de água bruta no Rio Atibaia por três vezes no mês passado, em razão da alta concentração de nitrogênio amoniacal após episódios de chuva. Em uma dessas ocorrências, no dia 29 de janeiro, o pico chegou a 7,56 mg/L, e a paralisação durou cerca de uma hora e meia. A Cetesb foi acionada.

Em Piracicaba, o Semae registrou, no dia 9 de janeiro, um pico de turbidez de 5 mil unidades no Rio Corumbataí. O episódio, porém, não comprometeu o funcionamento da ETA “Luiz de Queiroz”. Atualmente, durante o período úmido, o Semae capta de 70% a 80% da água bruta do Rio Piracicaba, sendo o restante proveniente do Rio Corumbataí. No período seco, ocorre o inverso, com maior captação no Corumbataí.

Outra ocorrência foi registrada no dia 20 de janeiro, no Rio Cachoeira, em Piracaia (SP), onde o proprietário de um sítio represou um trecho do rio com madeiras, prejudicando o trânsito das descargas de água do Sistema Cantareira para as Bacias PCJ. O responsável foi advertido pela Agência SP Águas.

Na apresentação da Sala de Situação, a engenheira Karolina Dantas expôs os dados sobre chuvas e vazões em janeiro de 2026, além das perspectivas para os próximos meses. No mês passado, os acumulados de chuva variaram entre 150 e 400 milímetros na maior parte do território das Bacias PCJ. No entanto, as vazões de alguns rios, como Jaguari, Atibaia e Piracicaba, permaneceram cerca de 50% abaixo da média histórica registrada entre 2010 e 2019.

Encerrando as apresentações, o coordenador do GT-Previsão do Tempo, Jorge Mercanti, apresentou as previsões meteorológicas. Segundo ele, há previsão de chuvas intensas entre os dias 9 e 10 de fevereiro, e a expectativa é de que a ocorrência de chuvas na região das Bacias PCJ fique acima da média nos próximos seis meses.

Ainda durante a reunião, a engenheira Danieli Ferreira divulgou os resultados de 11 trabalhos apresentados pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) no XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, realizado em novembro de 2025, em Vitória (ES). Cinco dos trabalhos têm relação direta com as Bacias PCJ, incluindo a análise da intensidade das chuvas na região entre 2024 e 2025 e o sistema de previsão hidrometeorológica das bacias.

Plano de Trabalho

No encontro, os membros também aprovaram o Plano de Trabalho da CT-MH para o biênio 2026–2027. Os planos das 11 câmaras técnicas temáticas serão apreciados na próxima reunião da CT-PL e votados na plenária dos Comitês PCJ, prevista para o final de março.

Na CT-MH, estão previstos 13 temas a serem trabalhados ao longo das reuniões, além da realização de um evento sobre prevenção, preparação e resposta a emergências químicas na proteção dos recursos hídricos, programado para maio de 2027.

“Como parte dos colegiados, a CT-MH, assim como as demais câmaras, planeja suas atividades por meio do Plano de Trabalho. O plano aprovado hoje é, em grande parte, de continuidade, com foco na quantidade e na qualidade da água, na convivência com os eventos climáticos e nas novidades do SAR-PCJ, das barragens que entrarão em operação, da discussão sobre a renovação da outorga do Sistema Cantareira, entre outros temas. Alguns pontos são continuidades, mas também há novidades, como a integração com o tema da poluição difusa e com a futura rede de monitoramento de águas subterrâneas”, avaliou Vilella.

Próxima reunião

A 277ª Reunião Ordinária da CT-MH está agendada para o dia 4 de março de 2026, a partir das 9h, por videoconferência.

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