Reunião virtual contou com a participação da presidente da Agência SP-Águas, Camila Viana
14 de janeiro de 2026
A situação crítica do Sistema Cantareira, cuja capacidade está abaixo dos 20%, e os desafios para a estiagem em 2026 foram os principais temas debatidos durante a 275ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico, realizada por videoconferência nesta quarta-feira, dia 14 de janeiro.
O encontro, conduzido pelo coordenador da CT-MH, Alexandre Vilella, contou com a participação da presidente da Agência SP Águas, Camila Viana, além de outros representantes da mesma instituição, diretores dos Comitês PCJ e da Agência das Bacias PCJ, e especialista da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).
Na abertura, Camila Viana reafirmou o compromisso de atuar de forma conjunta com o Comitê PCJ diante do cenário de escassez hídrica e de incertezas climatológicas, com a realização de reuniões técnicas semanais. Ela também destacou que o objetivo é preservar o sistema Cantareira e garantir os usos múltiplos.
“Esse é o nosso maior objetivo: garantir que o PCJ tenha água na quantidade e qualidade que precisa e que a região metropolitana de São Paulo tenha condições de atravessar esse período difícil que a estamos vivendo. O meu compromisso aqui é que a gente caminhe junto. É um desafio operar as descargas no período úmido, considerando especialmente o cenário de incerteza climatológica, com chuvas abaixo da média de forma recorrente”, comentou a presidente da SP Águas.
“São nesses momentos de crise que a gente aprende e evolui”, destacou o diretor da SP-Águas, Anderson Esteves, ressaltando o compromisso de manter reuniões frequentes com os Comitês PCJ.
Na sequência, houve apresentações de técnicos da Sala de Situação PCJ sobre chuvas/vazões nos meses de dezembro e janeiro e perspectivas para os próximos meses e da Agência SP-Águas sobre a situação atual e projeções para o Sistema Integrado Metropolitano.
O vice-presidente dos Comitês PCJ, Marco Antônio dos Santos, aproveitou o encontro para comentar a baixa vazão da água no Rio Atibaia, em Valinhos (SP), registrada em dois dias de dezembro, e destacar o esforço conjunto para evitar situações desse tipo.
“Quando se trata de uma vazão abaixo de 10 m³/s, as Bacias PCJ sofrem muito. Primeiro, porque a qualidade da água cai drasticamente e o tratamento se torna mais complexo. Segundo, porque todo o sistema, de forma geral, fica prejudicado. Que todos nós trabalhemos visando garantir água em quantidade e qualidade para todo o nosso estado, administrando o Sistema Cantareira de forma correta e sistemática”, afirmou.
Vilella esclareceu sobre a complexidade de se administrar as descargas do Cantareira para as Bacias PCJ. “Esse posto de Valinhos está mais ou menos a 100 quilômetros do pé da barragem. É um rio. Não é um tubo. Ou seja, é um rio com operação de PCH, com transposição, com captação, com infiltração, com evaporação, enfim, com todos os elementos de externalidades, que, claro, qualquer modelo matemático tem muita dificuldade de capturar absolutamente todas essas questões. Esse é o desafio de fazer gestão com casas decimais. O PCJ, talvez, seja uma das únicas bacias do Brasil que trabalha com duas casas decimais, o que impõe um desafio adicional nesse trecho de 100 quilômetros”, explicou.
Debates
Durante a reunião, os membros ainda debateram a necessidade de fortalecer o monitoramento, os termos de alocação de água e a estratégia de comunicação coordenada para períodos críticos.
Houve ainda apresentação sobre as vazões dos principais rios das Bacias PCJ, Sistema Cantareira e ocorrências registradas pelos usuários em dezembro, com a condução de Vilella. Em 13 de janeiro, o Cantareira estava com apenas 19,3% de sua capacidade, na faixa de restrição. Em 2025, na mesma data, o índice era de 50,6%, e, em 2024, de 70,2%.
O coordenador do GT-Previsão do Tempo, Jorge Mercanti, também apresentou as previsões meteorológicas. Segundo ele, não há indicativos de chuvas acima da média nos próximos meses. “Pode ser que não tenhamos aquela recuperação desejável para chegar no período seco”, disse.
Conservação do solo e modernização das ETAS
Em sua fala, o diretor-presidente da Agência PCJ, Sergio Razera, destacou a parceria entre Comitê, Agência, CT-MH e órgãos outorgantes, mencionando os investimentos que os Comitês PCJ, via Agência PCJ, têm feito no sistema, como redes de monitoramento de quantidade e qualidade da água.
Ele ressaltou que a recorrência de crises hídricas exige a adoção de soluções de longo prazo, como o incentivo à implantação de pequenos reservatórios e conservação de solo nos municípios. “Mais importante do que plantar árvore – e plantar árvore é importante – é garantir que a área agricultável tenham práticas adequadas de conservação de solo, para que a água possa realmente penetrar no solo e fazer as nossas nascentes fluírem”, reforçou.
Razera também enfatizou a necessidade de investimentos na modernização das Estações de Tratamento de Água e despoluição dos rios. “Tecnologias para isso a gente tem. Custam, é claro, mas não podemos abrir mão desse desses estudos para podermos superar o que as mudanças climáticas estão provocando”, concluiu.
“A criticidade nos exige pensar de forma antecipada. Fico muito feliz que a CT-SAM e CT-SA estão se debruçando sobre a modernização das ETAs. Há municípios com dificuldades operacionais imensas”, observou a promotora de Justiça do Gaema PCJ Piracicaba, Alexandra Facciolli Martins.
GT-SAR
O secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, aproveitou o encontro virtual para reiterar o convite para a reunião do GT-SAR-PCJ (Sistema Adutor Regional), que ocorrerá a partir das 10h na sexta-feira, 23 de janeiro, no CIESP, em Campinas, e contará com a presença da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natália Resende, e da diretoria da SP Águas.
Na ocasião, será feita a apresentação da Parceria Público-Privada para o Sistema Adutor Regional PCJ (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística – SEMIL e Secretaria de Parcerias e Investimentos – SPI) e também sobre o início da consulta pública da concessão de Drenagem e Segurança Hídrica nas Bacias PCJ (Novas barragens rios Jaguari e Camanducaia, SAR PCJ e UTR Camanducaia).
Novo membro
No encontro, foi aprovada por unanimidade a entrada da Prefeitura de Analândia como novo membro na CT-MH, representada por Rafael Dimitrius Carneiro(titular) e Claudio Alex Gonçalves de Carvalho (suplente). Com o ingresso da Prefeitura de Analândia, a CT-MH passa a contar com 42 entidades.
Próxima reunião
A próxima reunião da CT-MH (276ª) está agendada para o dia 5 de fevereiro, a partir das 9h30, no Museu da Água de Indaiatuba.
