Apresentação destacou iniciativas de assistência técnica, recuperação de estradas, saneamento rural, combate à erosão e restauração florestal no município
25 de setembro de 2026
A palestra “Do incômodo à mudança: a política de desenvolvimento rural em Mogi Mirim/SP” foi o destaque da 173ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Uso e Conservação da Água no Meio Rural (CT-RURAL), realizada no dia 25 de setembro, por videoconferência. A apresentação foi conduzida pelo engenheiro agrônomo e secretário municipal de Desenvolvimento Rural de Mogi Mirim, Valdir Luiz Biazoto, e pela engenheira civil e diretora de Sustentabilidade Rural da pasta, Renata de Faria Rocha.
Durante a apresentação, os representantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural apresentaram características do município e os principais desafios relacionados ao desenvolvimento rural e à conservação ambiental. Mogi Mirim possui área territorial de 497 km² e população estimada em 95.929 habitantes, segundo dados do IBGE para 2026. O município está localizado a aproximadamente 160 quilômetros da capital paulista.
A estrutura fundiária do município abrange cerca de 43 mil hectares, dos quais 47% correspondem a pequenas propriedades de até 10 hectares. Na área ambiental, um dos desafios apontados foi o déficit de vegetação nativa, estimado em 18 km².
Renata Rocha apresentou ainda dados de um estudo do Instituto de Pesquisas Ambientais do Estado de São Paulo (IPA), segundo o qual mais de 50% do território de Mogi Mirim apresenta riscos de erosão classificados entre moderados e altos. Segundo a apresentação, a erosão é considerada um dos principais desafios ambientais do município.
Entre as iniciativas adotadas pela administração municipal está a reativação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, que realiza reuniões mensais com apoio da Defesa Agropecuária. O grupo atua na fiscalização e orientação de proprietários rurais, inclusive em questões relacionadas ao lançamento inadequado de águas pluviais nas estradas.
Segundo Renata, também foi realizada uma reforma administrativa para reorganizar os programas descentralizados e ampliar a eficiência operacional da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural.
Biazoto destacou que a secretaria já contava com maquinário para atendimento às demandas rurais, mas identificou a necessidade de ampliar o suporte técnico de engenharia para solucionar problemas relacionados à drenagem. Como parte da reestruturação, foi criada uma sala de engenharia, com contratação de profissionais responsáveis pela elaboração de projetos estruturais e pela preparação de licitações para obras especializadas.
Entre as intervenções citadas está a recuperação de um trecho de 13,5 quilômetros da estrada MMR050, realizada em parceria com o município de Conchal. Também foram criadas equipes específicas para atender loteamentos de chácaras urbanas com ruas não pavimentadas.
Os palestrantes apresentaram ainda programas voltados diretamente aos produtores rurais, como a Patrulha Agrícola, por meio da qual os produtores podem utilizar implementos agrícolas mediante o pagamento apenas do combustível, e o serviço gratuito de assistência técnica veterinária, que oferece suporte à sanidade animal e à agregação de valor à produção, incluindo derivados de leite e embutidos.
O Banco de Alimentos foi apresentado como um dos principais eixos de parceria da secretaria. A estrutura conta com uma nutricionista responsável pela certificação de doações provenientes de supermercados e indústrias, além de arrecadações realizadas durante eventos culturais. A secretaria também obteve um novo caminhão refrigerado para apoiar as atividades.
Outra iniciativa destacada foi a integração ao programa estadual Cozinha Alimento, que oferece cursos voltados ao combate ao desperdício de alimentos e à geração de renda.
Na área ambiental, Renata Rocha destacou a aprovação do Plano Municipal de Saneamento Rural e a implementação, em 2026, do programa Mogi Mirim Produtor de Água, voltado à restauração florestal em áreas de nascentes.
Também foram apresentados investimentos de R$ 7 milhões, obtidos por meio do Finisa, para recuperação viária. Em parceria com o Fehidro e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Mogi Guaçu, foram destinados R$ 630 mil para a substituição de 164 fossas rudimentares por kits de saneamento, com meta futura de atendimento a 800 residências.
Renata informou ainda que, em agosto, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Mogi Guaçu aprovou financiamento de R$ 260 mil para a elaboração de um plano de combate à erosão, com contratação prevista para o início de 2027.
O município também está elaborando uma proposta para o edital dos Comitês PCJ, estimada em R$ 186 mil, com o objetivo de prospectar cerca de 200 propriedades localizadas em áreas críticas de três sub-bacias municipais, com foco em ações de restauração florestal.
Ao final da apresentação, Biazoto destacou que a valorização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural esteve relacionada à decisão de priorizar profissionais técnicos nas 11 áreas de atuação da pasta e ao estímulo ao trabalho multidisciplinar entre os servidores.
Inclusão de novos membros
Também durante a reunião, foram incluídos novos representantes na CT-RURAL. O Instituto de Proteção Socioambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí (IPSA-C) passou a ter Maurício Magossi como titular e Audrei Juliana Marques Fedatto como suplente.
O Sindicato Rural de Monte Mor passou a ser representado por Rogério Maluf, como titular, e Luis Fernando Amaral Binda, como suplente. Já a Associação dos Ex-Alunos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ADEALQ) terá Maurício Magossi como representante titular.
A próxima reunião da CT-Rural está agendada para 27 de novembro de 2026, às 9h30, em Rio Claro.
