Apresentação, em videoconferência, foi realizada pelo secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva
11 de fevereiro de 2026
A construção e operação das barragens de Pedreira e Amparo, assim como a implantação do Sistema Adutor Regional (SAR-PCJ), que distribuirá água desses reservatórios para 21 municípios das Bacias PCJ, foram os principais temas debatidos durante a 109ª Reunião Ordinária da Câmara Técnica de Uso e Conservação da Água na Indústria (CT-Indústria), realizada nesta quarta-feira, dia 11 de fevereiro, por videoconferência. As atividades foram conduzidas pelo coordenador da CT-Indústria, Jorge Mercanti.
O projeto do Governo do Estado de São Paulo foi apresentado pelo secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva. “É inegável que a atuação das barragens por si só já é extremamente benéfica para a regularização da vazão dos mananciais da calha dos formadores e do próprio Rio Piracicaba, a principal calha da bacia”, destacou Denis. “O objetivo é único: garantir água para todo mundo, principalmente no período da estiagem”, comentou.
O projeto de segurança hídrica das Bacias PCJ é tema de uma consulta pública aberta em janeiro pelas Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e de Parcerias em Investimentos (SPI). A operação do SAR-PCJ, bem como a manutenção das barragens e de uma de uma unidade de tratamento e despoluição do Rio Camanducaia, será realizada por meio de concessão, em modelo de Parceria Público-Privada (PPP). O prazo para contribuições segue até 25 de fevereiro. Mais informações podem ser obtidas neste link.
A concessão prevê a ampliação do sistema de captação e distribuição de água, com leilão estimado até o final de 2026, contrato de 30 anos e investimentos de R$ 1,9 bilhão. Desse total, R$ 312 milhões serão para a construção de três adutoras: Americana–Nova Odessa (tramo oeste), Louveira–Jundiaí (tramo centro-sul) e Pedreira–Campinas (tramo central). Os detalhes do projeto podem ser conferidos no site da SPI e nesta apresentação feita pelo Governo Paulista nas duas audiências públicas, dos dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro. Segundo o governo, as duas barragens devem ser concluídas no segundo semestre de 2026, com o enchimento dos reservatórios no final do ano. O SAR-PCJ deve entrar em operação em 2030.
O tema vem sendo discutido pelo GT-SAR PCJ, criado no âmbito da Câmara Técnica de Planejamento (CT-PL). Denis ressaltou que diversas contribuições serão compiladas e encaminhadas pelos Comitês PCJ à consulta pública. Segundo ele, as barragens ampliarão significativamente a vazão regularizada em 8,98 m³/s, elevando a vazão total para 17,18 m³/s. Denis estimou que 1 m³/s seria suficiente para abastecer 250 mil habitantes e enfatizou que a confiabilidade do sistema é vital para a indústria, já que a falta de água pode paralisar processos produtivos. O projeto busca reduzir falhas históricas de abastecimento para no máximo 2%.
A reunião contou ainda com a participação do coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH), Alexandre Vilella, que destacou a importância da definição de regras operativas para a distribuição da água das barragens, a exemplo do que ocorre no Sistema Cantareira. Ele defendeu que essas regras sejam pactuadas com todos os usuários e adaptadas à realidade das Bacias PCJ.
“O PCJ também quer protagonismo na operação dessas barragens. Estamos pleiteando isso na consulta pública. Esse é o momento de criticar e opinar”, observou Vilella, que classificou o tema como “complexo” e destacou que não há modelo semelhante no país. Segundo ele, trata-se de uma “oportunidade única na história de melhorar a segurança hídrica” na região. Tanto Vilella quanto Denis também ressaltaram a importância do combate às perdas de água e da intensificação das ações de proteção dos mananciais.
Plano de Trabalho 2026 – 2027
Durante a reunião, os membros aprovaram o Plano de Trabalho da CT-Indústria para o biênio 2026–2027, apresentado por Rebeca Silva, da Secretaria Executiva. Os planos das 11 câmaras técnicas temáticas serão apreciados na próxima reunião da CT-PL, em 6 de março, e votados na plenária dos colegiados, em 31 de março.
Na CT-Indústria, os seis temas previstos para discussão no biênio são: Plano Diretor de Reúso da Água para as Bacias PCJ; cadastro, caracterização e modelagem de cargas industriais; alternativas para suprimento de água; mudanças climáticas, impactos na gestão hídrica e planos de adaptação e contingência; acesso aos recursos da cobrança na modalidade reembolsável pelo setor privado; e boas práticas de conservação e uso racional da água no setor industrial.
O documento também contempla demandas da Agência das Bacias PCJ e da Secretaria Executiva dos Comitês PCJ para o período, alinhadas a instrumentos de planejamento aprovados pelos plenários, como o Plano das Bacias PCJ 2020–2035, o Planejamento Estratégico dos Comitês PCJ e políticas temáticas.
Situação hidrometeorológica
No início do encontro, Mercanti apresentou um panorama da situação hídrica do Sistema Cantareira e das Bacias PCJ. Em 10 de fevereiro, o Cantareira armazenava 285 milhões de metros cúbicos de água, o equivalente a 29% do volume útil total. A expectativa é de que o índice possa aumentar com as chuvas. Alguns rios das Bacias PCJ registraram vazões acima da média neste mês.
O coordenador da CT-Indústria também apresentou dados históricos, destacando que os últimos 12 meses (entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026) registraram precipitação abaixo da média climatológica em Paulínia, caracterizando um período seco. No Sistema Cantareira, o acumulado foi de 1.065 mm nos últimos 12 meses, inferior à média climatológica anual da região, de 1.491 mm, o que impactou os níveis do sistema.
Segundo Mercanti, há probabilidade de chuvas acima da média nos meses de maio, junho, julho e agosto. “Essa é a boa notícia que a gente tem. Tomara que se concretize”, afirmou. “São informações que nos deixam mais confortáveis, principalmente no inverno. Essas chuvas são muito bem-vindas”, completou Denis Herisson.
Próxima reunião
A 110ª Reunião Ordinária da CT-Indústria também será realizada de forma virtual e está agendada para 8 de abril de 2026, a partir das 9h.
