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Com foco na segurança hídrica, Comitês e Agência PCJ visitam ETA com ultrafiltração por membranas

Objetivo foi conhecer a tecnologia adotada pela Sabesp e difundi-la entre municípios das Bacias PCJ

Com foco no fortalecimento da segurança hídrica nas Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, os Comitês PCJ e a Agência das Bacias PCJ promoveram, nesta quinta-feira, 29 de janeiro, uma visita técnica à Estação de Tratamento de Água (ETA) Alto da Boa Vista, localizada na região de Santo Amaro, em São Paulo (SP). A unidade, pertencente à Sabesp e fundada na década de 1950, opera com dois módulos de tratamento — o sistema convencional e, mais recentemente, o sistema de ultrafiltração por membranas, implantado após a crise hídrica de 2014/2015.

Além de conhecer de perto a nova tecnologia, a iniciativa teve como objetivo difundi-la entre os municípios das Bacias PCJ. Na visita, foi realizada uma breve análise comparativa das particularidades do sistema de membranas em relação aos sistemas convencionais. O tema integra o Plano de Trabalho 2026–2028 da Câmara Técnica de Saneamento (CT-SA) e deverá ser apresentado ainda neste semestre aos membros da CT.

A comitiva das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, foi composta por representantes dos Comitês e Agência PCJ e da DAE Jundiaí S/A. Pelos Comitês, participaram o secretário-executivo dos colegiados, Denis Herisson da Silva, e o coordenador da Câmara Técnica de Saneamento (CT-AS), Mateus Arantes. Pela Agência, estiveram presentes os diretores Sergio Razera (presidente) e Patrícia Barufaldi (técnica), além dos coordenadores Diogo Pedrozo (Projetos) e Eduardo Léo (Sistema de Informações). O grupo da DAE Jundiaí foi liderado pelo diretor-presidente da empresa, Luiz Roberto Del Gelmo.

Conhecida como ETA ABV, a estação foi inaugurada em 1958, recebe água da Represa do Guarapiranga, possui capacidade nominal de 16 m³/s e abastece cerca de 4,3 milhões de pessoas. A unidade opera com um sistema principal de tratamento convencional e, desde 2025, conta com um sistema paralelo de ultrafiltração por membranas, baseado em tecnologia norte-americana. Enquanto o tempo de processamento no tratamento convencional varia de duas a quatro horas, no sistema de ultrafiltração o prazo é reduzido para cerca de 20 a 30 minutos. A remoção de micro-organismos também é significativamente superior: entre 4 e 6 log para cistos e bactérias, contra 2 a 3 log no sistema convencional.

Segundo o presidente da Agência das Bacias PCJ, Sergio Razera, a visita teve como propósito aprender com as experiências já desenvolvidas na unidade. “Especialmente as membranas ultra-filtrantes, que é um produto usado para tratar esgoto, mas também pode ser usado para tratar água. Ele tem uma performance muito boa, a água sai muito limpa e, claro, tem um custo mais elevado que o tradicional. Porém, consegue tratar águas muito mais poluídas. E é por isso que viemos aqui, para saber sobre essa tecnologia e os custos, porque a gente precisa melhorar as nossas estações de tratamento de água nas Bacias PCJ. Mesmo com bastante coleta e tratamento de esgoto, ainda tem muitos poluentes na água do rio e, na baixa estiagem, na baixa vazão, a água fica difícil para tratar por esse método convencional. Então, a gente veio aprender para poder pensar novos projetos ao longo do tempo”, ressaltou Razera.

O secretário-executivo dos Comitês PCJ, Denis Herisson da Silva, também ressaltou a relevância da iniciativa. “É relevante apresentar o sistema de membranas aos Comitês PCJ, especialmente em razão da elevada densidade populacional da região. Trata-se de uma alternativa tecnológica que pode se mostrar estratégica, sobretudo nos períodos de escassez hídrica, quando a qualidade da água bruta tende a se deteriorar”, afirmou.

Já o coordenador da CT-SA, Mateus Arantes, explicou que a proposta foi visitar uma unidade que reúne tanto o sistema convencional quanto o de ultrafiltração. “Em períodos de estiagem, a qualidade dos rios das Bacias PCJ é bastante impactada, o que dificulta o tratamento da água. A visita teve como objetivo demonstrar que é possível trabalhar com módulos independentes, utilizando a mesma água, e obter ganhos tanto em eficiência quanto na quantidade de água disponibilizada à população”, concluiu.

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